Mais
de R$ 52 milhões em dívidas deixaram de aparecer nas consultas públicas de
crédito no Ceará, criando uma falsa aparência de regularidade financeira para
centenas de devedores e afetando mais de 200 credores no estado. O fenômeno
integra um esquema nacional que já retirou R$ 62,1 bilhões em débitos das bases
de consulta nacional utilizadas por bancos, empresas e fornecedores em todo o
país, comprometendo a segurança das operações de crédito e dos negócios
realizados diariamente no mercado brasileiro.
Levantamento
realizado pelos Cartórios de Protesto aponta que 6.788 protestos deixaram de
aparecer nas consultas públicas no Ceará, embora as dívidas continuem existindo
e permaneçam regularmente registradas nos Cartórios. No estado, a medida afeta
274 credores e envolve 600 devedores, cujas pendências deixam de ser
visualizadas por instituições financeiras, comerciantes, fornecedores e demais
agentes econômicos que utilizam essas informações para análise de risco e
concessão de crédito.
Na
prática, o protesto permanece válido e ativo no Cartório onde foi feito, mas
deixa de ser exibido em sistemas nacionais de consulta e em plataformas
utilizadas pelo mercado para verificar a situação financeira de pessoas físicas
e jurídicas. O resultado é a criação de uma aparência artificial de adimplência,
capaz de induzir terceiros a erro em operações comerciais, financiamentos,
vendas a prazo e contratação de serviços.
Os
números do Ceará refletem um movimento de alcance nacional. Nos últimos cinco
anos, 2,9 milhões de dívidas protestadas deixaram de aparecer nas consultas
públicas brasileiras, totalizando R$ 62,1 bilhões em valores retirados das
bases de informação utilizadas pelo mercado. Desse total, R$ 20,8 bilhões
correspondem a créditos públicos, afetando diretamente a arrecadação de estados,
municípios e da própria União. Mais de 66 mil credores brasileiros tiveram
informações sobre seus créditos retirados das consultas nacionais.
O
crescimento desses casos, que ganhou repercussão nacional, levou o Conselho
Nacional de Justiça (CNJ) a editar norma específica – Provimento nº 225/26 -
para monitorar decisões judiciais que determinam a retirada de protestos das
consultas públicas de crédito, ampliando o acompanhamento nacional do fenômeno
e seus impactos sobre a segurança do mercado.
Para
especialistas, o prejuízo ultrapassa a esfera individual dos credores
atingidos. Quando informações relevantes sobre inadimplência deixam de ser acessíveis
ao mercado sem que a dívida tenha sido quitada, aumenta-se o risco das
operações econômicas, encarece-se o crédito e reduz-se a segurança das relações
comerciais.
“A
publicidade dos protestos é fundamental para o funcionamento do mercado de crédito.
Quando uma dívida válida deixa de aparecer das consultas públicas sem que tenha
sido paga, cria-se uma distorção que prejudica credores, compromete a
transparência das relações comerciais e aumenta o risco para todos aqueles que
concedem crédito ou realizam negócios”, afirma Lucas Cariri, gestor do
Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Ceará (IEPTB/CE).
A
publicidade das dívidas protestadas é garantida pela legislação brasileira e
reforçada pelas Leis Federais nº 9.492/1997 e nº 14.382/2022, que asseguram o
acesso público às informações de inadimplemento justamente para permitir maior
segurança jurídica, estimular soluções negociais e auxiliar a tomada de
decisões por cidadãos, empresas e instituições financeiras.
Com R$
52,8 milhões em dívidas retiradas das consultas públicas no Ceará e outros R$
130 bilhões já ocultados ao longo do tempo em todo o país, o chamado Golpe do
Limpa Nome deixa de ser apenas uma controvérsia processual para se tornar um
problema econômico de alcance nacional, com impactos diretos sobre credores,
consumidores, empresas, poder público e sobre a confiança necessária para o
funcionamento do mercado de crédito brasileiro.
Sobre
os Cartórios de Protesto
Presentes
em todo o Brasil, os 3.760 Cartórios de Protesto exercem papel essencial na
economia, garantindo segurança jurídica, protegendo direitos de consumidores e
empresas e auxiliando na recuperação de créditos públicos e privados. Criados e
regulados por lei, os cartórios são fiscalizados pelo Poder Judiciário e atuam
como braço auxiliar da Justiça. A Central do Protesto
(www.pesquisaprotesto.com.br) reúne os serviços digitais de todos os Cartórios
de Protesto do país.
Serviço:
Instituto
de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seccional Ceará (IEPTB-CE)
Endereço:
Rua Monsenhor Bruno, 1153, Sala 414, Meireles, Fortaleza/CE
Contato:
(85) 3264-9808
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