Diante
da proximidade das Eleições 2026, a Associação Brasileira das Organizações
Sociais de Cultura (ABRAOSC) divulgou uma Carta de Princípios visando
sensibilizar candidatos ao Executivo e Legislativo federal e estaduais a
promover a cultura com gestão eficiente, responsável e participativa. A Carta
defende a cultura como direito humano fundamental e, com base em dados
recentes, demonstra que o modelo de gestão em parceria entre Estado e
organizações sociais apresenta resultados eficazes e que ampliam o acesso da
população brasileira a programas e equipamentos de qualidade.
A
ABRAOSC é formada por 23 organizações sociais de cultura com atuação no
Amazonas, Ceará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e junto ao
Governo Federal. Elas são responsáveis pela gestão de iniciativas como a
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (SP), Museu do Amanhã (RJ), Paço do
Frevo (PE), Museu das Amazônias (AM), Museu Oscar Niemeyer (PR), Centro Dragão
do Mar e Pinacoteca do Ceará (CE), entre dezenas de outros corpos estáveis,
programas de formação, museus, bibliotecas, centros culturais e iniciativas de
preservação do patrimônio que estão entre as maiores referências do país em
seus setores.
Só em
2025, as associadas ABRAOSC promoveram 15,9 milhões de atendimentos culturais,
sendo 83% deles de forma gratuita. Ao todo, mais de 115 mil atividades
culturais foram oferecidas ao público por estas organizações. Os dados são do
Censo ABRAOSC 2025, que acaba de ser divulgado. Realizado em parceria com o
Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), o levantamento também
aponta a geração de 33 mil oportunidade de trabalho diretas e indiretas pelas
associadas, o recolhimento de R$ 281 milhões em encargos e R$ 43 milhões em
tributos - ou seja, além de gerar impacto social positivo, o modelo de gestão
promove também retorno financeiro para o Estado na forma de impostos e
contribuições.
Assim,
a Carta de Princípios lançada pela associação defende sete pontos principais: a
cultura deve ser política de estado, com continuidade, planejamento e
estabilidade; o maior objetivo desta política deve ser ampliar o acesso à
cultura em todas as suas dimensões; para isso, o financiamento público deve
permanecer robusto e diversificado; garantia da segurança jurídica e
aperfeiçoamento normativo do modelo de gestão em parceria com Organizações
Sociais; fortalecimento da transparência e governança; participação das OS na
formulação e implementação das políticas culturais; e valorização de modelos de
gestão compartilhada.
Para o
diretor-presidente da ABRAOSC, Paulo Zuben, os números levantados pelo Censo
2025 reforçam a contribuição concreta do modelo de gestão para a sociedade
brasileira. “Não são apenas dados quantitativos, eles reafirmam o impacto do
modelo de gestão para o desenvolvimento econômico e social, a geração de
oportunidades, a preservação do patrimônio e a ampliação do acesso ao
conhecimento. Além disso, são dados que só existem porque o modelo é
profissionalizado e transparente”, declarou.
Já o
presidente do Conselho de Administração da entidade, Marcelo Lopes, ressalta a
importância de uma política cultural contínua. “O impacto da cultura se dá no
longo prazo. O setor não pode ficar sujeito a mudanças bruscas em ciclos
políticos curtos. A capacidade de planejar com antecedência é fundamental para
que as OS tenham credibilidade para levantar recursos externos junto a
patrocinadores, reforçando o orçamento do Estado, que é uma das grandes
vantagens do modelo. Por isso a importância da segurança jurídica”, afirmou.
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