Ana Paula Dantas e Léa Porto
A
participação feminina no setor supermercadista brasileiro cresce de forma
consistente e cada vez mais visível em cargos de liderança, como indica a
Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Dados da instituição indicam
que as mulheres representam mais de 50% da força de trabalho do setor no país,
e levantamentos baseados em dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam
aumento gradual da participação feminina em cargos de chefia, supervisão e
gerência nas redes de varejo alimentar.
O
avanço é percebido em diversas áreas da operação supermercadista. Funções como
gerência de loja, supervisão de setores, compras, marketing, logística,
tecnologia e gestão administrativa têm registrado crescimento da presença
feminina, refletindo mudanças culturais e organizacionais dentro de um dos
segmentos mais dinâmicos da economia brasileira.
No
Nordeste, onde o setor tem forte capilaridade e importância econômica, essa
transformação também é evidente. A cearense Rede Uniforça, maior associação
supermercadista da região, por exemplo, tem cinco mulheres no time de gestão,
que conta com oito líderes, no total. As gerentes ocupam áreas estratégicas
para o funcionamento da rede: Gente e Gestão, Tecnologia da Informação e
Processos, Marketing, Comercial e Logística.
Para a
vice-presidente da associação, Léa Porto, a posição de destaque que tais
mulheres galgaram é “resultado de competência, dedicação e da capacidade de
lidar com um setor que exige organização, sensibilidade e rapidez nas
decisões”.
O
grupo feminino também lidera entre os associados: 75% das bandeiras de
supermercados são dirigidas ou presididas por mulheres, demonstrando que o
avanço da participação delas não se dá mais somente na gestão interna das
empresas, mas agora também no comando dos negócios.
O
crescimento da presença feminina em posições estratégicas reflete uma mudança
estrutural no varejo alimentar brasileiro, que passa a reconhecer cada vez mais
a diversidade de perfis na liderança e a capacidade das mulheres de conduzir
equipes, gerir operações complexas e impulsionar o desenvolvimento do setor.
Trajetórias
no varejo cearense
Com 23
anos de dedicação ao supermercado Pinheiro & Carneiro, localizado no bairro
João XXIII, em Fortaleza, a empresária Girlanda Carneiro construiu uma
caminhada marcada por trabalho intenso, muito aprendizado e forte compromisso
com o crescimento do negócio. "Comecei entendendo cada detalhe da
operação, acompanhando de perto os desafios do dia a dia e participando
ativamente das decisões estratégicas", conta a diretora.
Tendo
atravessado momentos de expansão e de reinvenção, a empresária diz acreditar
que foram essas experiências as responsáveis por fortalecer a atuação como
gestora. Para ela, o grande diferencial da mulher na gestão de uma rede de
supermercados está na capacidade de unir visão estratégica e sensibilidade
humana. “Acredito que nossa conquista de espaço nesse mercado não se deve
apenas à busca por representatividade, mas à nossa competência e preparo.
Desafios sempre existirão em qualquer área, mas o que percebo é uma evolução
significativa. A mulher vem mostrando, na prática, que pode estar à frente de
grandes operações com excelência e equilíbrio", analisa Girlanda.
Já a
empresária Ana Paula Dantas, CEO do Grupo Dantas e associada da Rede Uniforça,
carrega uma relação com o varejo que começou ainda na infância. Desde os 7 anos
acompanhava os pais nas compras para o negócio da família, até que, aos 17
anos, com a perda da mãe, precisou assumir a responsabilidade de conduzir a
empresa junto ao pai e à irmã.
Hoje,
única proprietária de lojas nos municípios de Solonópole e Jaguaretama, Ana
Paula soma duas décadas de atuação no setor. Segundo ela, o fato de ser mulher
e ter iniciado ainda adolescente em um mercado predominantemente masculino
tornou o início da carreira um tanto desafiador. “Mas nós mulheres temos
dinamismo, uma capacidade de resolução, perspicácia e uma sensibilidade aguçada
para os negócios, e isso agrega muito", comenta a empresária, provando ter
contornado as adversidades. Para o futuro, a supermercadista imagina um setor
de mais inovação, mulheres buscando aprendizado, crescendo em postos de
liderança e, sobretudo, realizando seus sonhos.