A
ciência brasileira está mais próxima de solucionar um dos maiores desafios da
indústria global de alimentos plant-based: reproduzir com fidelidade a
experiência sensorial da gordura animal. Coordenado pela pesquisadora Sueli
Rodrigues, o projeto Desenvolvimento de novos ingredientes e processos para
elaboração de alimentos, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos
(FINEP) e com recursos gerenciados pela Fundação FASTEF, desenvolve lipídios
estruturados bioidênticos capazes de replicar sabor, aroma, textura e
comportamento térmico das gorduras animais em produtos de origem vegetal.
A
iniciativa utiliza engenharia enzimática, bioinformática e biologia sintética
para criar moléculas que imitam não apenas o aspecto visual da gordura animal,
mas sua própria estrutura molecular. O objetivo é transformar a qualidade
sensorial de hambúrgueres, embutidos e cortes inteiros plant-based,
aproximando-os da experiência tradicional da carne.
Hoje,
a maioria dos produtos vegetais disponíveis no mercado utiliza misturas de
óleos convencionais, como coco, palma e girassol, associados a gomas e amidos
para simular textura. Apesar dos avanços, esses ingredientes ainda apresentam
limitações relacionadas à cremosidade, retenção de aroma, ponto de fusão e
sensação na boca.
O
diferencial do projeto brasileiro está justamente na busca pelo chamado
“mimetismo por identidade”, conceito que pretende reproduzir o mesmo perfil
molecular encontrado na gordura animal, mas sem criação e abate de animais.
Para isso, a pesquisa utiliza modelagem computacional de enzimas e ferramentas
de bioinformática capazes de reorganizar ácidos graxos na molécula de gordura,
reproduzindo o comportamento da gordura animal durante o preparo e a
mastigação.
“A
gordura é um dos principais elementos responsáveis pela experiência sensorial
da carne, porque retém e libera compostos aromáticos durante o preparo e a
mastigação. Nosso objetivo é desenvolver moléculas bioidênticas que consigam
reproduzir essa experiência de forma muito mais fiel nos alimentos
plant-based”, explica a coordenadora Sueli Rodrigues.
A
pesquisa acompanha um movimento global de expansão da chamada foodtech de
precisão, que já apresenta os primeiros produtos comerciais desenvolvidos a
partir de fermentação de precisão e biologia sintética, como queijos produzidos
com proteínas bioidênticas às do leite e carnes vegetais capazes de reproduzir
aroma e coloração típicos da carne animal.
Além
da experiência sensorial, a tecnologia também pode gerar impactos ambientais
relevantes, como redução da emissão de carbono, menor uso de terra e água,
diminuição do desmatamento associado à pecuária e valorização de matrizes
vegetais brasileiras.
O
financiamento da FINEP foi essencial para viabilizar o desenvolvimento da
pesquisa, considerada de alta complexidade tecnológica. Os recursos permitiram
a aquisição de equipamentos especializados, insumos de biologia molecular e a
formação de equipes compostas por mestres, doutores e pós-doutores dedicados ao
desenvolvimento da plataforma tecnológica nacional.
Para o
presidente da FASTEF, Perucio, iniciativas como esta reforçam o potencial da
ciência brasileira na criação de soluções inovadoras com impacto global. “A
FASTEF tem orgulho de contribuir para projetos que unem pesquisa de ponta,
sustentabilidade e inovação tecnológica. Estamos falando de uma iniciativa
estratégica, capaz de posicionar o Brasil em uma área altamente competitiva e
relevante para o futuro da alimentação”, afirma.
Com
mais este projeto inovador financiado pela FINEP e com recursos gerenciados
pela FASTEF, a pesquisa brasileira avança na corrida global por soluções
sustentáveis, tecnológicas e de alto valor agregado para o futuro da
alimentação.
Sobre
a Fundação
A
FASTEF é uma das fundações de apoio institucional à UFC. É uma entidade privada
sem fins lucrativos, dedicada à prestação de serviços voltados para o
desenvolvimento científico e tecnológico. Desde sua criação, já realizou a
gestão de mais de 500 projetos. Sua
atuação envolve articulação com a própria UFC e outras universidades,
pesquisadores, empresas e a sociedade em geral.

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