Há
quase três décadas, artistas cearenses encontram no pequeno formato um lugar
para experimentar. É nesse território, em que poucos minutos de cena podem concentrar
uma dramaturgia inteira, que o FESFORT – Festival de Esquetes de Fortaleza
construiu sua trajetória.
Criado
em 1997 pelo ator e diretor Carri Costa, o Festival chega em 2026 à sua 24ª
edição e completa 29 anos de história. Entre 21 e 26 de setembro, o Teatro da
Praia recebe 20 esquetes selecionadas, com entrada gratuita, reunindo artistas
de diferentes gerações e propostas que passam por comédia, drama, teatro
físico, performance, palhaçaria, teatro documental, tragédia contemporânea e
outras linguagens.
A
longevidade do FESFORT está ligada justamente à possibilidade de a esquete
funcionar como laboratório. Para alguns artistas, é o primeiro contato com o
palco profissional. Para outros, uma oportunidade de testar uma dramaturgia,
investigar uma linguagem ou condensar uma pesquisa que já vem sendo
desenvolvida. Ao longo dos anos, o Festival colocou lado a lado novos nomes e
profissionais experientes, criando um espaço de troca que ultrapassa a
competição.
A
edição deste ano envolve cerca de 118 profissionais distintos, entre artistas e
técnicos. São 66 participações de atores e atrizes em cena, correspondentes a
aproximadamente 62 intérpretes distintos, além de diretores, dramaturgos,
produtores, iluminadores, sonoplastas, figurinistas, cenógrafos e outros
profissionais responsáveis pela realização dos trabalhos.
Entre
os selecionados estão Insucesso; Um Santo Remédio; João das Áfricas; Estação
Final; Tempo é Dinheiro; Coisas Invisíveis; Diabo a Dois; Clitemnestra; O
Julgamento do Artista; Depois das Onze; EuCão; Homem Guabiru; Delícias do
Baião; Ofélia; O Cantar das Marés; Traz Essa Estrela; A Dor Profunda de
Pantaleão; O Comerciante; Anjos Caídos; e O Auto do Livro.
Um
festival criado quando a cena precisava de espaço
A
primeira edição do FESFORT foi realizada de 1º a 6 de abril de 1997, no próprio
Teatro da Praia. A proposta surgiu a partir da percepção de Carri Costa sobre a
necessidade de ampliar em Fortaleza os espaços destinados à experimentação
teatral.
Naquele
momento, a ideia era criar um ambiente em que trabalhos de curta duração
pudessem ser apresentados, testados diante do público e colocados em diálogo
com outros artistas. A iniciativa acabou estabelecendo no Ceará um festival
dedicado especificamente ao formato de esquete e iniciou uma trajetória que
atravessaria diferentes períodos da produção cultural do Estado.
A Cia.
Cearense de Molecagem, fundada em 1994, acompanhou esse processo desde o início
como parceira do Festival. Essa relação permanece até hoje.
Outro
marco veio em 2002, com a criação da APTECE – Associação dos Produtores
Teatrais do Ceará. A entidade passou a assumir a produção e a realização
institucional do FESFORT, contribuindo para sua organização e continuidade.
Essa
estrutura formada ao longo do tempo reúne três referências diretamente ligadas
à história do Festival: o Teatro da Praia, como espaço que abriga sua
trajetória; a APTECE, responsável por sua realização institucional; e a Cia.
Cearense de Molecagem, parceira desde os primeiros passos.
A
importância do FESFORT também ganhou reconhecimento oficial. Em 22 de setembro
de 2010, por meio da Lei nº 14.796, o Festival passou a integrar o Calendário
Oficial do Estado do Ceará.
Da
experiência de palco à formação de artistas
A
proposta do FESFORT nunca esteve limitada à apresentação de espetáculos. O
Festival também se consolidou como espaço de formação e convivência
profissional.
O
contato entre diferentes trabalhos permite que artistas acompanhem outras
formas de criação, discutam processos e descubram possibilidades para suas
próprias pesquisas. Essa dimensão permanece em 2026, com oficinas formativas e
circulação de esquetes pelas Regionais de Fortaleza previstas para outubro,
ampliando o alcance da programação para além do Teatro da Praia.
O
projeto também dedica atenção à preservação da própria história. Em outubro,
será lançado um livro sobre a trajetória do FESFORT, reunindo documentos,
lembranças e registros acumulados ao longo de quase três décadas e
transformando esse material em parte da memória das artes cênicas do Ceará.
Gasparina
Germano e uma tradição de homenagens
A
relação do FESFORT com a memória do teatro também aparece em uma tradição
iniciada na primeira edição.
Em
1997, a atriz cearense Gasparina Germano foi escolhida como personalidade
homenageada. Naquele primeiro ano, o reconhecimento recebeu o nome de Troféu
Teatro dai Praia. A partir de 1998, passou a se chamar Troféu Gasparina
Germano, estabelecendo uma homenagem que se tornou permanente na história do
Festival.
Mesmo
nos períodos em que o FESFORT não conseguiu realizar suas edições regulares, a
homenagem permaneceu como referência da relação do projeto com a história do
teatro cearense.
Em
2026, a atriz e diretora Rejane Reinaldo será a homenageada. Ela receberá o
Troféu Gasparina Germano durante o encerramento do Festival, em 26 de setembro.
Na
mesma noite, serão entregues os reconhecimentos aos artistas e trabalhos desta
edição. A proposta do FESFORT não é estabelecer simplesmente uma lista de
“melhores”, mas reconhecer diferentes aspectos e experiências da criação
teatral, considerando a atuação da Comissão de Debate e a participação popular.
Comenda
Theatro Concórdia reconhece nomes da cena cultural
Outra
homenagem tradicional do Festival é a Comenda Theatro Concórdia, criada em 2006
para reconhecer grupos, instituições, produtores e personalidades que
contribuem para o desenvolvimento das artes cênicas.
Em
2026, recebem a comenda a Cia. Palmas Produções Artísticas, na categoria Grupo
de Teatro; o Cine Teatro São Luiz, como Instituição Teatral; Davidson Caldas,
na categoria Produção Teatral; e Caio Quinderé, como Personalidade Cultural.
29
anos entre continuidade, interrupções e resistência
A
história do FESFORT também é marcada pelos desafios enfrentados pela produção
cultural. O Festival atravessou períodos de interrupção e dificuldades para
obtenção de financiamento, mas manteve o projeto de retomar suas atividades e
preservar sua trajetória.
Completar
29 anos, portanto, significa também reunir diferentes gerações de artistas que
passaram pelo palco, trabalhos que começaram como experiências de poucos
minutos e posteriormente seguiram outros caminhos, além de profissionais que
ajudaram a manter a iniciativa em diferentes momentos.
A 24ª
edição reafirma essa trajetória com uma programação que reúne 20 trabalhos e
aproximadamente 118 profissionais distintos, ao mesmo tempo em que amplia suas
ações para formação, circulação e preservação da memória.
O 24º
FESFORT é realizado pela APTECE – Associação dos Produtores Teatrais do Ceará,
com parceria histórica do Teatro da Praia e da Cia. Cearense de Molecagem. O
projeto foi selecionado no 4º Edital de Apoio a Festivais Culturais do Ceará,
por meio do Termo de Execução Cultural nº 370/2026.
SERVIÇO
24º
FESFORT – Festival de Esquetes de Fortaleza
29
anos – 1997/2026
Quando:
21 a 26 de setembro de 2026
Horário:
a partir das 19h
Onde:
Teatro da Praia – Av. Monsenhor Tabosa, 177, Praia de Iracema, Fortaleza/CE
Entrada:
gratuita
Homenagem
a Rejane Reinaldo e encerramento: 26 de setembro
Realização:
APTECE – Associação dos Produtores Teatrais do Ceará
Parcerias
históricas: Teatro da Praia e Cia. Cearense de Molecagem
Projeto:
4º Edital de Apoio a Festivais Culturais do Ceará – TEC nº 370/2026
Instagram:
@fesfort_festival
Contato:
fesfort1@gmail.com
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