Foto divulgação
O que
uma pessoa idosa tem a ensinar? O que ainda tem a aprender? Esses são alguns
dos questionamentos que atravessam Bordando a Vida, performance relacional
criada pela artista Maria Valdênia, com participação da artista Silvia Moura. A
obra inicia sua circulação no dia 4 de fevereiro, ocupando praças públicas de
Fortaleza. Com realização da Plataforma Imaginários (@imaginarios_arte), o projeto
conta com apoio da Secretaria da Cultura de Fortaleza (SECULTFOR) e foi
selecionado no Edital para Performance Artística | PNAB – SECULTFOR 2024, nos
termos da Lei nº 14.399/2022 (PNAB), do Decreto nº 11.740/2023 (Decreto PNAB) e
do Decreto nº 11.453/2023 (Decreto de Fomento).
A
proposta investiga e valoriza a troca de saberes e experiências entre
diferentes gerações, proporcionando encontros poéticos entre artistas e
público, nos quais o ato de bordar se transforma em metáfora para o
compartilhamento de memórias, histórias e aprendizados de vida. Ao longo da
ação, será bordado coletivamente um tecido de seis metros de algodão cru, no
qual imagens, palavras e relatos emergem a partir da interação entre as
artistas e o público participante.
A performance
já ocupou quatro espaços públicos da cidade, fortalecendo o vínculo entre arte,
território e convivência urbana. As ações aconteceram na Praça Padre Elvis
Marcelino (Montese, 4/2), na Praça da Gentilândia (Benfica, 5/2) e na Praça
José Bonifácio (Centro, 6/2). A última performance será realizada no Parque
Rachel de Queiroz (Presidente Kennedy), no dia 18/2, às 16h, marcando o
encerramento da circulação do projeto.
“Em um
contexto social marcado pela aceleração do tempo e pela invisibilização do envelhecimento,
Bordando a Vida propõe tensionar estigmas associados à velhice, reafirmando o
lugar das pessoas idosas como sujeitos ativos de conhecimento, criação e
aprendizagem contínua. A performance se estrutura a partir de uma lógica de
troca não hierárquica, em que artistas e público compartilham experiências de
forma horizontal, sensível e coletiva”, explica Maria Valdênia
Comprometido
com a ampliação do acesso, o projeto conta com a presença de intérprete de
LIBRAS em todas as ações, possibilitando a participação de pessoas surdas e
falantes de Libras nos encontros e processos de criação. E como desdobramento
da performance, será produzido um foto-livro, reunindo imagens e relatos
resultantes das ações realizadas nas praças. A publicação terá dois lançamentos
gratuitos, também com intérprete de LIBRAS.
Sobre
as artistas
Maria
Valdênia
Vive e
trabalha em Fortaleza. Mulher idosa, iniciou sua trajetória artística após se
aposentar como secretária executiva. Seus processos de criação começaram no final
de 2019, a partir da participação no projeto Mulheres do Mar, idealizado por
Marie Auip e produzido pela Plataforma Imaginários. Nesse contexto, integrou a
publicação do livro coletivo homônimo e apresentou a obra Lembranças nos
formatos presencial e virtual.
Em
2021, foi convidada pelo artista Eduardo Bruno a integrar o projeto Me Ensina a
Criar, no qual desenvolveu três trabalhos: a videoarte Eu amo ballet, eu odeio
ballet; o livro-performance O que é performance?; e a videoperformance Negando
o negacionismo. Desde 2024, realiza a performance Bordando a Vida em diversos
espaços de Fortaleza. Atualmente, participa de formações em artes visuais e
performance, com interesse em refletir sobre o lugar do corpo idoso na arte.
Silvia
Moura
Artista
das conexões possíveis entre corpo e pensamento, comunica-se por meio de
diferentes mídias, tendo a dança, a performance e a palavra como principais
pontes entre sua trajetória de vida e o olhar do público. Essa relação
atravessa sua chamada “dança-desabafo”, consolidando sua atuação como uma
artista de destaque nos campos da educação, produção e difusão da arte no
Ceará.
Sobre
a Plataforma
A
Plataforma Imaginários é um espaço de criação, pesquisa, fruição e memória
dedicado às artes contemporâneas e às práticas curatoriais, principalmente do
Norte-Nordeste do Brasil. Desde 2028, idealiza projetos nacionais e
internacionais que conectam territórios, corpos e narrativas diversas,
apostando na troca, na formação e na construção de novos imaginários culturais.