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O
gesto de levar os dedos à boca para roer as unhas é uma cena comum no
cotidiano, muitas vezes iniciada ainda na infância. O que é socialmente aceito
como uma simples mania ou vício estético, entretanto, esconde riscos
biológicos. A onicofagia, nome técnico para esse hábito, pode ser o ponto de
partida para quadros clínicos graves, incluindo infecções que exigem cirurgia
e, em casos de negligência, a perda definitiva de um dedo.
Cláudia
Velasco, diretora médica da Clínica SiM, explica que a gravidade reside na
vulnerabilidade que o ato cria. "A boca é uma das regiões mais
contaminadas do corpo e, ao ferir a pele ao redor da unha, criamos uma porta de
entrada direta para bactérias agressivas na corrente sanguínea", detalha.
De
acordo com um estudo publicado na revista científica National Library of
Medicine, entre 20% e 30% da população mundial, abrangendo todas as faixas
etárias, possui o hábito de roer as unhas. Os dados revelam que a prática é uma
das respostas comportamentais mais frequentes diante de estímulos externos, mas
a alta prevalência não diminui a periculosidade da ação para o organismo
humano.
Contaminação
e riscos sistêmicos
O
processo de contaminação ocorre de forma cíclica: a sujeira acumulada sob as
unhas, composta por resíduos ambientais, fungos e bactérias, é transportada
diretamente para a mucosa bucal. Simultaneamente, a saliva, que contém enzimas
e microrganismos próprios, penetra nas microlesões causadas pelos dentes na
região das cutículas. Esse ambiente úmido e ferido é ideal para o surgimento de
paroníquias, infecções que provocam inflamações severas e acúmulo de pus.
A
possibilidade de consequências extremas é ilustrada pelo caso da jovem Gabby
Swierzewski, de 21 anos. A norte-americana quase perdeu o dedo após uma
infecção iniciada pelo hábito de roer as unhas evoluir rapidamente. O quadro
exigiu uma intervenção cirúrgica de emergência para remover o tecido infectado
e impedir que a bactéria atingisse o osso ou se espalhasse pela mão, o que
resultaria em uma amputação inevitável.
Como
identificar os sinais de uma infecção
Para
evitar que o problema atinja esse estágio, é essencial saber identificar os
sinais de que uma infecção está em curso:
Vermelhidão
e inchaço: A pele ao redor da unha torna-se quente, vermelha e sensível.
Pus:
Surgimento de secreção amarelada ou esverdeada sob a pele.
Latejamento:
Sensação de pulsação constante e dolorosa no dedo.
Febre
e calafrios: Indicativos de que a infecção pode estar deixando de ser local
para se tornar sistêmica.
Raiz
emocional: estresse e ansiedade
Antes
de ser um problema dermatológico, a onicofagia é um reflexo psicológico ligado
a estados de estresse e ansiedade. "Procurar um psicólogo ou psiquiatra é
fundamental para entender os gatilhos que levam ao comportamento e tratar a
causa primária, evitando que a intervenção seja apenas física", alerta a
psicóloga da Clínica SiM Mirella Martins Lippi.
Cláudia
Velasco reforça que o sucesso da cura depende de uma abordagem em duas frentes.
"O tratamento médico resolve a infecção e protege a integridade da pele,
mas se não houver o suporte especializado para controlar a ansiedade, o
paciente voltará a ferir o próprio corpo em um ciclo de reinfecções",
pontua.
Dicas
práticas para interromper o hábito
Romper
com a onicofagia exige estratégia e persistência. A médica recomenda algumas
medidas práticas para auxiliar no processo:
Manter
unhas curtas: Reduzir a área de ataque diminui o estímulo para roer.
Esmaltes
amargos: O uso de substâncias com sabor desagradável serve como um lembrete
consciente para afastar a mão da boca.
Substituição
de estímulo: Utilizar objetos como bolinhas antiestresse ou "fidget
spinners" para ocupar as mãos em momentos de tensão.
Barreiras
físicas: Em momentos de maior ansiedade, o uso de curativos nos dedos pode
impedir o acesso direto aos dentes.
A
mudança de comportamento, embora desafiadora, é a única garantia de preservação
da saúde das mãos e, consequentemente, do corpo. Segundo Mirella Martins Lippi,
a mudança de hábito exige paciência e o uso de ferramentas que ajudem a quebrar
o reflexo automático de levar a mão à boca nos momentos de tensão.
Sobre
a Clínica SiM
A
Clínica SiM, integrante do Grupo SiMco, é uma rede de clínicas de saúde
acessíveis com presença nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco. Com mais de
230 mil beneficiários ativos, a empresa se destaca pelo compromisso com a
democratização da saúde, combinando expansão estratégica, inovação e inclusão
para ampliar o acesso a serviços médicos de qualidade.
Serviço
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mais informações sobre a Clínica SiM e seus serviços, acesse o site
www.clinicasim.com ou entre em contato pelo telefone 0800 357 6060.