A
Associação Caatinga iniciou a elaboração de planos de sustentabilidade
financeira para seis Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)
localizadas na região do Cariri cearense. A iniciativa integra a quarta fase do
projeto "RPPN Conservação Voluntária Gerando Serviços Ambientais",
que busca fortalecer a conservação da Caatinga por meio da criação, ampliação e
gestão de reservas privadas no Ceará.
As
RPPNs são unidades de conservação criadas voluntariamente por proprietários
rurais que destinam parte de suas terras à proteção da natureza. Após o
reconhecimento pelo poder público, essas áreas passam a ter proteção perpétua,
contribuindo para a preservação da biodiversidade e dos serviços ambientais.
Nesta
etapa do projeto, serão contempladas seis reservas. No Crato, receberão os
planos as RPPNs Oásis Araripe 1, com 50 hectares, Oásis Araripe 2, com 52
hectares, ambas administradas pela ONG Aquasis, e a RPPN Araçá, com 11,73
hectares. Em Santana do Cariri, serão beneficiadas as RPPNs Buritis Águas
Naturais, com 10 hectares, Azedos, com 8 hectares, e Melina Garcia, atualmente
em processo de criação.
A
iniciativa já beneficia proprietários que investem voluntariamente na
conservação da Caatinga. É o caso do casal Severino Roberto e Francisca Edna,
de Santana do Cariri, que mantêm duas RPPNs e trabalham na criação de outras
duas novas áreas protegidas. Para eles, o plano representa uma oportunidade de
estruturar melhor a gestão da propriedade, conciliando conservação, visitação e
sustentabilidade financeira.
Em
junho, a equipe da Associação Caatinga realizou visitas técnicas às reservas
acompanhada pelo consultor ambiental Flávio Ojidos. Durante a agenda, foram
realizadas entrevistas com os proprietários para levantar informações sobre as
RPPNs e também sobre o contexto da região, incluindo os atrativos naturais, o
potencial turístico, cultural e social e outros aspectos relevantes para a
elaboração dos planos. Esse diagnóstico
servirá de base para a construção dos planos, que indicarão alternativas para
fortalecer a gestão das reservas e garantir recursos para sua manutenção no
longo prazo.
As
ações serão desenvolvidas ao longo de 15 meses nos municípios de Crateús,
Crato, Santana do Cariri e Araripe. O projeto prevê ainda a criação das RPPNs
Sítio Chapada da Torre, em Araripe, e Melina Garcia, em Santana do Cariri, além
da ampliação das RPPNs Buritis Águas Naturais, Oásis Araripe, Neném Barros e
Serra das Almas.
Responsável
pela elaboração dos planos, o consultor ambiental Flávio Ojidos explica que o
objetivo é transformar a conservação em uma atividade financeiramente viável.
"Estamos aqui para pensar uma forma de trazer isso para a prática, de
maneira simples, organizada e planejada, com ações concretas que permitam às
reservas alcançar um ciclo contínuo de conservação", afirma.
Segundo
ele, o principal desafio começa após a criação da reserva. "O maior
desafio pós-criação é financeiro. O proprietário assume um compromisso perpétuo
de conservação e precisa arcar com despesas de cercamento, manutenção de aceiros
contra incêndios florestais, vigilância, entre outros", destaca.
Os
planos irão mapear oportunidades de captação de recursos, identificar formas de
reduzir custos de gestão e estruturar um planejamento financeiro de médio
prazo. Entre as alternativas avaliadas estão mecanismos como Pagamentos por
Serviços Ambientais (PSA), créditos de biodiversidade e outras fontes de
receita compatíveis com a conservação.
De
acordo com Samuel Portela, coordenador de Conservação da Biodiversidade da
Associação Caatinga, a iniciativa busca dar mais segurança aos proprietários
para manter as áreas protegidas ao longo do tempo. "Muitas vezes, o maior
desafio começa justamente depois da criação da reserva. Os planos oferecem
ferramentas para que os proprietários tenham condições de manter essas áreas
protegidas de forma estruturada e sustentável", afirma.
Projeto
"RPPN Conservação Voluntária Gerando Serviços Ambientais"
O
projeto "RPPN Conservação Voluntária Gerando Serviços Ambientais" é
realizado pela Associação Caatinga e financiado pelo Fundo Global para o Meio
Ambiente (GEF), no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e
Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre),
coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), tendo o
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o
FUNBIO como agência executora.
Além
da elaboração dos planos de sustentabilidade financeira, a quarta fase do
projeto prevê a criação de duas novas RPPNs, a ampliação de quatro reservas já
existentes e a elaboração de um Plano de Comunicação para ampliar o
conhecimento da sociedade sobre a importância das RPPNs como ferramenta de
conservação.
Sobre
a Associação Caatinga
A
Associação Caatinga é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos,
cuja missão é conservar a Caatinga, difundir suas riquezas e inspirar as
pessoas a cuidar da natureza. Desde 1998, atua na proteção da Caatinga e no
fomento ao desenvolvimento local sustentável, incrementando a resiliência de
comunidades rurais à semiaridez e aos efeitos do aquecimento global.
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