O
balanço nesse período aponta para o retorno de mais da metade das mulheres que
passaram pelo primeiro atendimento, ou seja, 54.492 retornaram à Casa da Mulher
Brasileira do Ceará, sediada em Fortaleza. Considerando o período de junho de
2018 a março de 2026, no referido equipamento, ocorreram 328.879 atendimentos
realizados pelos diversos órgãos que compõem a instituição, como Defensoria
Pública, Delegacia de Defesa da Mulher, Ministério Público, Juizado Especial da
Mulher e Núcleo de Perícia da Mulher, com uma média de 117,87 atendimentos por
dia em 93 meses. Já o setor de Autonomia Econômica é fundamental para o
encerramento do ciclo da violência, cujo espaço é responsável por promover
ações que fortalecem a independência financeira das mulheres atendidas por meio
de qualificação profissional, encaminhamento ao mercado de trabalho e incentivo
ao empreendedorismo.
De
acordo com a empresária Inaê Evangelista, a presença das mulheres em oficinas
mecânicas e de troca de óleo está cada vez mais crescente. “A sensibilidade
delas tem imprimido um atendimento mais personalizado e humano, tanto que, hoje
em dia, é possível ver mais mulheres indo sozinhas às oficinas para fazer
revisões, manutenções preventivas e outros serviços”, ressalta. Em relação ao
curso, serão ministradas aulas teórica e prática na sede da GoLube. As 15
mulheres selecionadas aprenderão trocar óleo; direção defensiva; diagnóstico
mecânico; cuidados de segurança (cinto, triângulo, chave de roda, sinalização
em via pública), entre outros.
As
oficinas GoLube e LS Centro Automotivo, ambas localizadas na Cidade dos
Funcionários e esta última comandada pelo especialista automotivo Leonardo
Mendonça, já capacitaram 25 mulheres para atuar no setor. Inaê Evangelista
explica que o objetivo é sempre dar oportunidade para quem se destacar e
demonstrar interesse em estar sempre aprendendo. Para a nova turma formada por
mulheres assistidas pela Casa da Mulher Brasileira do Ceará, haverá uma
contratação de imediato, com benefícios que incluem vale-transporte,
vale-alimentação e cesta básica, além de um salário-mínimo para o trabalho em
horário comercial, de segunda-feira a sábado.
“Vamos
observar a proatividade, agilidade, clareza na comunicação, vontade de aprender
e foco em resultados. É importante, também, que a pessoa tenha interesse pelo
setor” (Inaê Evangelista)
Parceria
como a da oficina GoLube, intermediada pelo setor de Promoção da Autonomia
Econômica, da Casa da Mulher Brasileira do Ceará, já alcançou 2.123 mulheres
entre os anos de 2018 e 2025, com o encaminhamento de 407 delas no mercado de
trabalho e 366 empregadas efetivamente. No período, foram emitidos 1.031
certificados. Além dos cursos e capacitações voltadas para a área da
beleza/estética, ao longo desses oito anos de atuação foram firmadas diversas
parcerias com instituições cearenses, com destaque também para a construção
civil, administrativo e recursos humanos, atendimento ao cliente, mecânica/
manutenção, informática, dentre outras especialidades.
A
coordenadora da Casa da Mulher Brasileira, Daciane Barreto, ressalta que este é
um equipamento de extrema importância por unir, no mesmo espaço, serviços
especializados para os mais diversos tipos de violência contra as mulheres no
estado. Até o momento, cabe ressaltar, nenhuma assistida pela instituição
sofreu tentativa de feminicídio. “Para que as mulheres possam romper com o
ciclo da violência, oportunizamos, desde a implementação desse equipamento, em
2018, diversas estratégias com os serviços ofertados no setor de Autonomia
Econômica da CMB-CE, priorizando as capacitações/cursos profissionalizantes e
os encaminhamentos para a empregabilidade”, pontua Daciane.
Ao
longo de 19 anos de atuação na área da violência doméstica e familiar contra a
mulher, a titular do Juizado da Mulher de Fortaleza, juíza Rosa Mendonça, vem
acompanhando as transformações legislativas e institucionais que marcaram esse
campo. “Houve avanços significativos. As medidas protetivas foram ampliadas,
fortaleceram-se as redes de atendimento e no judiciário há um entendimento das
diversas formas de violência. A Justiça tem um papel central, mas não pode
atuar de forma isolada”, explica.
O
cenário atual ainda é muito preocupante. A violência contra a mulher vem
acontecendo da maneira mais cruel, por meio dos feminicídios, apesar da Lei nº
13.104, que alterou o art. 121 do Código Penal para incluí-lo como
circunstância qualificadora do homicídio e inseri-lo no rol dos crimes
hediondos. O enfrentamento à violência contra a mulher é o meu compromisso
diário”
Juíza
Rosa Mendonça
Números:
-
37,5% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência
-
71.892 estupros de mulheres, equivalente a 196 casos por dia, foram registrados
em 2024
-
1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025 (aumento de 4,7% em relação
a 2024)
Fonte:
Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam 2025)
Serviço:
Curso
de Revisão Básica de Veículos de Pequeno e Médio Porte e de Troca de Óleo
Local:
GoLube
Endereço:
Avenida José León, 1260, Cidade dos Funcionários, Fortaleza/CE
Data:
6/5 (quarta-feira)
Horário:
8 às 13 horas