Com
exibições no Cineteatro São Luiz, as duas mostras integram a programação do
festival, que será realizado de 7 a 13 de novembro, com entrada gratuita. Os
filmes selecionados concorrem ao Troféu Mucuripe em diferentes categorias.
Mostra
Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem
A
competição ibero-americana de longas do festival reúne seis filmes, cinco de
ficção e um documentário, que partem de histórias particulares para abordar
questões relacionadas à memória, às relações humanas, à identidade e às
transformações sociais.
A
seleção conta com a coprodução de ficção Espanha-Bélgica "Eu não morrerei
de amor" (Yo no moriré de amor), da diretora Marta Matute. Na trama,
Claudia, de 18 anos, precisa conciliar os desejos próprios da juventude com as
responsabilidades que surgem quando a doença da mãe altera a rotina da família.
O drama transforma uma situação íntima em reflexão sobre o cuidado e as
escolhas que acompanham a passagem para a vida adulta. O longa recebeu a
Biznaga de Ouro de Melhor Filme Espanhol no Festival de Málaga de 2026.
Há
também a ficção “Nunkui”, de Verenice Benítez, que conduz a narrativa para a
Amazônia equatoriana. A coprodução Equador-Chile-Alemanha narra a história de
uma adolescente do povo indígena Shuar, que enfrenta a ameaça da mineração
enquanto aprende sobre sua cultura, a natureza e seu lugar no mundo. O filme
acumula reconhecimentos internacionais, entre eles o prêmio de Melhor
Longa-Metragem da Competição Latino-Americana do Festival Audiovisual Bariloche,
o Prêmio do Júri no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz e o prêmio
de Melhor Roteiro no FicLaPaz.
Há
“Sob o mesmo sol” (Bajo el mismo sol), do diretor Ulises Porra. A coprodução
República Dominicana-Espanha transporta o público para o Caribe colonial de
1819. Um herdeiro espanhol, uma mestra chinesa da arte da seda e um desertor
haitiano se unem na tentativa de estabelecer uma fábrica na ilha Hispaniola. Ao
aproximar personagens de diferentes origens, o filme aborda as tensões culturais
e sociais de um território marcado por desigualdades e disputas de poder.
Também
está a ficção peruana “Não há ida sem retorno” (No hay ida sin retorno), do
diretor Carlos Sánchez Giraldo. O filme apresenta a história de Amito, guiado
por uma voz que ouve em seus sonhos, decide retornar à selva, sendo acompanhado
por Lizandro, que deseja aprender com ele. Durante essa jornada, marcada por
elementos míticos, Amito descobre que não é quem imaginava ser, enquanto
Lizandro é levado a confrontar a si mesmo. A história aborda o retorno como um
ciclo inevitável e transformador.
Do
Brasil, a mostra conta com dois filmes: a ficção “Terra Firme”, de Alexandre
Vale, filmado em Trairi, no litoral cearense. O longa acompanha a amizade de um
menino de uma vila de pescadores, e um homem mais velho que vive isolado em seu
barco. O encontro entre os dois cria a possibilidade de enfrentar marcas do
passado e vislumbrar novos caminhos. O outro é o documentário “Trapiá, um outro
sertão”, de Bertrand Lira, sobre uma comunidade rural no interior da Paraíba,
em transição de uma forma tradicional de vida.
Mostra
Competitiva Brasileira de Curta-metragem
A
competição brasileira de curtas reúne 13 produções de diferentes estados e
formatos, entre ficções, documentários e animações. O Ceará participa com
quatro produções. Em “Joqueta”, de Luciana Vieira, Filipa nunca é
verdadeiramente reconhecida até precisar substituir o irmão em uma corrida de
jóquei. O filme chega ao festival após conquistar o 1º Lugar Cabíria Cardume e
o 2º Lugar Abra Cardume. “Lena”, de Lanna Carvalho, acompanha uma mulher que
recebe da filha um lugar especial como presente e precisa lidar com a saudade.
“Cassiopeia”, de Bruna DeRose, traz história de Beatriz, jovem fascinada por
astronomia, que conhece Olívia e passa a enxergar suas sardas como
constelações. Entre amizade, desejo e descoberta, ela enfrenta sentimentos que
transformam sua relação com o mundo. Já “Redamar”, de Johnnathan Albano,
apresenta Ulisses, personagem cuja rotina é marcada por desejos reprimidos e
frustrações até receber a notícia da morte da mãe.
Entre
as ficções selecionadas está “Caso isolado”, de Jamila Facury e Edson Lemos
Akatoy (PB), que aborda o colorismo a partir da experiência de uma mulher negra
de pele clara que trabalha com entregas em João Pessoa. Tem “Cabeceira”, de
Rayane Teles (BA), sobre duas irmãs que deixam a casa e se deparam com um
cenário de solidão e falta de perspectivas. E também “Pão Doce”, de Wesley
Gabriel Silva Santos (SP), acompanha um pai que tenta conciliar as exigências
do trabalho com a comemoração do aniversário da filha. O filme estreou no Festival de Cinema de
Gramado, onde recebeu os prêmios de Melhor Direção, para Wesley Gabriel Silva
Santos, e Melhor Ator, para Francisco Gaspar, na Mostra Competitiva de
Curtas-Metragens Brasileiros do 54º Festival.
A
animação também ocupa espaço importante na seleção. “Amargô”, de Giorgio
Vinicius Casetta (GO), acompanha uma costureira que retorna à cidade onde
nasceu e se depara com memórias dolorosas; “Cefalópodes”, de Vic Casé (SP), que
retrata a relação entre uma drag queen insegura e um artista extraterrestre;
“Fogo amigo e outras canções”, de Roberto P. B. Castro (GO), sobre um homem que
passa a atrair urubus e entra em conflito com as criaturas; e “Todas as vezes
que demos tchau”, de Breno Alvarenga (MG), em que um homem lembra de um
relacionamento com um rapaz mais jovem e reflete sobre inseguranças, traumas e
sexualidade.
Completando
a seleção, há os documentários: “O homem para o tempo”, de Heber Bezerra (MG),
que aborda sobre memória, afeto e passagem do tempo a partir da cidade de Ouro
Preto. E “De barriga pra cima”, de Beatriz Lindenberg, Cintya Ferreira, Marcia
Medeiros e Mariana de Lima (ES), realizado a partir de uma oficina de cinema
desenvolvida na comunidade quilombola de Monte Alegre, em Cachoeiro de
Itapemirim.
Premiação
Os
filmes das duas mostras competitivas concorrem ao Troféu Mucuripe. Na Mostra
Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem, serão premiados os vencedores
nas categorias Melhor Longa-metragem, Direção, Atuação Principal, Atuação
Coadjuvante, Roteiro, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Som,
Direção de Arte e Prêmio da Crítica. O Melhor Longa, eleito pelo Júri Oficial
da Competitiva Ibero-americana, receberá prêmio no valor de R$ 40 mil,
destinados à distribuição da obra no Brasil, conforme os critérios previstos no
regulamento.
Na
Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem, o Troféu Mucuripe será
concedido nas categorias Melhor Curta-metragem, Direção, Roteiro e Prêmio da
Crítica. Os filmes também disputam o Prêmio Canal Brasil de Curtas, destinado à
melhor produção da seleção. A premiação busca estimular novos realizadores e tem
o vencedor escolhido por um júri formado por críticos e jornalistas
especializados em cinema.
Cine
Ceará
O 36º
Cine Ceará é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do
Audiovisual e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB); da Associação Cultural
Cine Ceará; e da Bucanero Filmes. Tem o apoio institucional do Governo do
Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, via Mecenas do Ceará e Edital de
Festivais Culturais Calendarizados (PNAB); e da Universidade Federal do Ceará,
via Casa Amarela Eusélio Oliveira. Conta ainda com patrocínio do Banco do
Nordeste, Complexo Portuário do Pecém, Cegás e Etice, através da Lei Rouanet.
Tem patrocínio direto da Cagece e o apoio cultural da Enel através do Mecenato
Estadual.
SERVIÇO
36°
Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema – 7 a 13 de novembro em
Fortaleza. Informações: www.cineceara.com. Instagram: @cineceara, Facebook:
Festival Cine Ceará. E-mail: contatos@cineceara.com.