O
contato com linguagens artísticas, a descoberta de novas possibilidades
profissionais e o fortalecimento do vínculo com a escola marcam a conclusão do
primeiro ciclo do projeto Entremares: ensino de arte nas escolas. Desenvolvido
pela Escola Porto Iracema das Artes — integrante da Rede Pública de
Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Rece) e gerida pelo
Instituto Dragão do Mar (IDM) —, a iniciativa beneficiou cerca de 52 jovens da
Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Clóvis Beviláqua por meio de
disciplinas eletivas de Audiovisual e Teatro, um Clube de Dança e experiências
de fruição cultural em equipamentos da cidade. Os resultados serão apresentados
ao público nesta terça-feira (30), durante a programação de encerramento do
semestre, na Porto Iracema das Artes.
Resultado
de um processo contínuo de aproximação entre a Porto Iracema das Artes e a rede
pública de ensino, o Entremares nasce a partir de experiências desenvolvidas
pelo Programa de Formação Básica em escolas estaduais de diferentes regiões do
Ceará por meio do projeto aBarca. Entre elas estão as oficinas realizadas em
parceria com o Festival Alunos que Inspiram, da Secretaria da Educação do Ceará
(Seduc), que, entre 2025 e 2026, alcançaram 630 estudantes em 39 escolas de 21
municípios cearenses.
Essa
trajetória também incluiu percursos de iniciação artística realizados em
escolas estaduais e ciclos de visitas à sede da Porto Iracema, nos quais
estudantes tiveram contato com experiências de criação em fotografia, vídeo,
artes visuais, música, dança e teatro. O acúmulo dessas ações com o aBarca
permitiu o desenvolvimento de metodologias voltadas à formação artística em
contexto escolar e fundamentou a criação do Entremares.
Para a
diretora da Escola Porto Iracema das Artes, Bete Jaguaribe, a experiência
reafirma o papel da arte como dimensão fundamental da formação humana e amplia
o diálogo entre cultura e educação pública. “O Entremares traduz uma
compreensão que orienta o trabalho da Porto Iracema das Artes: a de que a
formação em arte não se restringe à formação de artistas. A arte amplia
repertórios, fortalece vínculos, produz reflexão crítica e contribui para a
formação dos sujeitos em sua relação com o mundo, com os territórios e com as
outras pessoas”, afirma a diretora.
Ainda
em seu primeiro semestre de atuação, o projeto piloto foi construído em
parceria com a equipe pedagógica da EEMTI Clóvis Beviláqua, buscando incorporar
as linguagens artísticas ao currículo escolar e fortalecer a participação dos
estudantes.
“O
Entremares nasce de um processo de amadurecimento das experiências que a Porto
Iracema das Artes vem desenvolvendo junto às juventudes da rede pública. Ao
longo dos anos, fomos construindo metodologias, compreendendo melhor o ambiente
escolar e entendendo como a formação artística pode dialogar de forma mais
profunda com a educação formal”, afirma Edilberto Mendes, coordenador do
Programa de Formação Básica da Porto Iracema das Artes.
Além
das atividades realizadas na escola, os estudantes participaram de experiências
de fruição cultural em espaços artísticos e equipamentos culturais de
Fortaleza, ampliando o repertório estético e o contato com diferentes formas de
criação.
Formação
artística e pesquisa
Inspirado
em reflexões da educadora norte-americana Bell Hooks, o projeto aposta na
formação artística como ferramenta para mobilizar o entusiasmo, fortalecer
vínculos comunitários e estimular o reconhecimento das singularidades em meio à
diversidade. Corpo, território e imaginação constituem eixos centrais da
experiência formativa desenvolvida junto aos estudantes.
Paralelamente
às atividades educativas, os estudantes participantes integram um processo de
monitoramento e avaliação realizado em parceria com o programa Cientista-Chefe
da Cultura. A iniciativa busca acompanhar, ao longo do tempo, os impactos da
experiência artística na vida dos jovens, observando de que forma o contato
contínuo com as artes influencia suas trajetórias educacionais, profissionais e
pessoais.
De
acordo com o coordenador pedagógico da unidade de ensino, Tiago Teixeira,
embora os resultados ainda estejam em fase de avaliação, a experiência tem
potencial para contribuir significativamente para a formação dos estudantes.
“A
gente pode prever uma melhora significativa no entendimento de mundo desses
alunos, de como eles vão olhar para as próprias realidades, para os seus
territórios e até para o mundo do trabalho. Mas, principalmente, para o
desenvolvimento pessoal, da criatividade, da corporeidade, do entendimento de
que a arte não é só diversão, ela também é estudo, esforço e construção”,
destaca o coordenador.
Ao
longo do semestre, os estudantes participaram de percursos formativos que
articularam criação artística, reflexão sobre o território e experiências de
fruição cultural, aproximando diferentes linguagens e modos de produção
artística.
Cidade,
memória e criação artística
Nas
eletivas de Audiovisual, os estudantes participaram de um percurso formativo
voltado à experimentação da linguagem cinematográfica, conduzido pelos artistas
e realizadores José Luis Máximo, Léo Câmara, Mano Erick, Camilla Osório e
Elienay Duarte. Ao longo dos módulos, investigaram elementos como imagem, som,
memória e território, produzindo mapas afetivos da cidade de Fortaleza e
explorando formatos como filme-carta e filme-poema.
A
proposta estimulou a observação sensível dos espaços urbanos, a escuta do
território e a construção de narrativas autorais inspiradas nas experiências
cotidianas dos próprios participantes. Como resultado, os estudantes realizaram
curtas-metragens que articulam memória, afeto e pertencimento.
Já nas
eletivas de Teatro, orientadas por Iago Xavier, Lídia dos Anjos, Amon Aristides
e Maruska Ribeiro, o percurso abordou diferentes dimensões da criação cênica,
incluindo atuação, dramaturgia, figurino e iluminação. A partir de
investigações sobre corpo, cidade, memória e afetividade, os estudantes
desenvolveram experimentos cênicos construídos coletivamente e inspirados em
suas relações com os territórios que habitam.
Complementando
as atividades, o Clube de Dança, conduzido pelos artistas Clarissa Costa e Éder
Soares, promoveu vivências voltadas ao corpo em movimento, articulando práticas
da dança, das danças sociais, da capoeira e de referências da cultura popular
brasileira. As atividades estimularam a escuta, a improvisação, a criação
coletiva e a ampliação da consciência corporal dos participantes.
Além
das atividades realizadas na escola, os estudantes participaram de experiências
de fruição cultural em equipamentos como o Museu da Imagem e do Som do Ceará
(MIS-CE), o Cinema do Dragão e o Museu da Liberdade, ampliando o contato com
diferentes expressões artísticas e fortalecendo a relação entre formação,
território e cultura.
Programação
de encerramento
A
conclusão do primeiro ciclo do Entremares será celebrada na próxima terça-feira
(30), a partir das 14h, na Porto Iracema das Artes. A programação reúne
estudantes da EEMTI Clóvis Beviláqua em uma tarde de apresentações e
compartilhamento dos processos desenvolvidos ao longo do semestre.
Os
participantes das eletivas de Teatro e Audiovisual apresentarão ao público os
trabalhos criados durante a formação, em atividades que abordam temas como
memória, território, identidade e futuro. A programação inclui o experimento
cênico “Quem Somos Nós Amanhã?”, dirigido por Lídia dos Anjos; a mostra
audiovisual “Amar e mudar as coisas me interessa mais”; o encerramento do Clube
de Dança; e uma visita guiada à exposição Escombros da Memória, da turma do
Preamar de Artes Visuais 2025.
Poéticas
da Formação Artística
A
experiência do Entremares dialoga diretamente com as Poéticas da Formação
Artística, eixo que orienta as ações da Escola Porto Iracema das Artes em 2026.
A proposta parte da compreensão de que arte e vida são dimensões indissociáveis
dos processos educativos e convida à reflexão sobre os modos de formar
artistas, as metodologias de ensino e os impactos da arte-educação na
sociedade.
Construído
ao longo de mais de uma década de reflexão pedagógica, esse eixo emerge das
experiências desenvolvidas pela Escola em seus diferentes programas formativos
e encontra no Entremares uma de suas expressões mais concretas ao aproximar
formação artística, educação pública e transformação social.
Sobre
a Porto Iracema das Artes
A
Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação artística do Governo
do Estado do Ceará, vinculada à Secretaria da Cultura (Secult) e gerida pelo
Instituto Dragão do Mar (IDM). Desde 2013, desenvolve processos formativos nas
áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com cursos básicos,
técnicos e laboratórios de criação. Todas as atividades são gratuitas.
Serviço
Encerramento
do Entremares – Ensino de Artes nas Escolas
Data:
30 de junho de 2026 (terça-feira)
Horário:
13h30 às 17h
Local:
Porto Iracema das Artes – Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema, Fortaleza
(CE)
Programação:
Experimento
cênico ‘Quem Somos Nós Amanhã?” (20 min), com direção de Lídia dos Anjos
Mostra
audiovisual Amar e mudar as coisas me interessa mais
Encerramento
do Clube de Dança
Visita
guiada à exposição Escombros da Memória, da turma do Preamar de Artes Visuais
2025
Classificação
indicativa: Livre
Entrada:
Gratuita
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