O Dia
Mundial da Alergia (08/07) chama atenção para os riscos, os sinais de alerta e
os cuidados necessários diante das reações alérgicas, especialmente na
infância. Nesta fase, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e
algumas reações podem acontecer de forma rápida após a ingestão ou contato com
determinado alimento.
Especialista
em terapia alimentar infantil, a nutricionista da Hapvida, Anne Letícia,
alerta: "Nos casos mais graves, como dificuldade para respirar, inchaço na
garganta ou desmaio, é essencial procurar atendimento médico imediatamente.
Alergia alimentar é coisa séria. Informação, diagnóstico correto e
acompanhamento profissional fazem toda a diferença no cuidado com a
criança."
Segundo
a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), a alergia alimentar
pode acometer cerca de 6% a 8% das crianças menores de três anos, sendo mais
frequente nessa faixa etária do que na idade adulta. Apesar de mais de 170
alimentos já serem considerados potencialmente alergênicos, alguns são
responsáveis pela maior parte das reações: leite de vaca, ovo, soja, trigo,
amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar.
Sinais
de alerta: Os sintomas podem surgir de minutos até cerca de duas horas após a
ingestão. Na pele, podem aparecer manchas vermelhas, urticária, coceira intensa
e inchaço nos lábios, nos olhos ou na língua. No sistema gastrointestinal, são
comuns vômitos repetidos, diarreia, cólicas intensas, refluxo importante ou
sangue nas fezes. Já os sintomas respiratórios incluem tosse seca, chiado no
peito, coriza e dificuldade para respirar. Esta, quando associada à inchaço na
garganta, desmaio ou piora rápida do quadro pode indicar anafilaxia, uma reação
alérgica grave.
Cuidados
no dia a dia e na escola: A leitura dos rótulos também deve fazer parte da rotina
das famílias. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
por meio da RDC nº 26/2015, estabelece a rotulagem obrigatória dos principais
alimentos que causam alergias alimentares. "Além disso, é importante ler
os rótulos dos alimentos. A Anvisa determina que os principais alérgenos sejam
destacados nas embalagens. Evitar a contaminação cruzada e sempre agir com
orientação profissional são cuidados fundamentais", reforça Anne Letícia.
Quando
a criança já possui diagnóstico de alergia alimentar, a escola também precisa
estar preparada, com plano de emergência por escrito, orientação para a equipe
e autorização para uso de medicamentos devidamente prescritos por um
especialista em caso de exposição acidental.
A
nutricionista também destaca o risco da contaminação cruzada. "Utensílios,
panelas, esponjas e superfícies usadas no preparo dos alimentos devem receber
atenção, pois pequenas partículas podem desencadear reações em crianças mais
sensíveis", explica. "E o mais importante: não retire alimentos da
dieta do seu filho sem orientação profissional. Restrições sem necessidade
podem gerar medo, insegurança alimentar e prejuízos nutricionais",
finaliza Anne Letícia.

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