Uma
plataforma desenvolvida no Ceará, com apoio do Sebrae por meio do programa
Catalisa ICT, quer ajudar empresas a identificar problemas que podem afetar a
saúde mental dos trabalhadores antes que eles resultem em adoecimento,
afastamentos e outros impactos. A Lucis Saúde foi criada para mapear riscos
psicossociais no ambiente de trabalho e auxiliar organizações na adequação às
novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
A
ferramenta chega em um momento de atenção crescente para o tema no Brasil.
Dados preliminares da Previdência Social apontam a concessão de 546.254
benefícios por transtornos mentais e comportamentais em 2025, alta de 15,66% em
relação ao ano anterior.
Desde
26 de maio de 2026, a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 passou a incluir os
fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de
Riscos Ocupacionais (GRO). Com isso, questões ligadas à organização do trabalho
e capazes de afetar a saúde dos profissionais passaram a integrar as medidas de
prevenção das empresas.
É
nesse cenário que a Lucis Saúde atua. A plataforma coleta e analisa informações
sobre quatro áreas: organização do trabalho, estilos de gestão, indicadores de
sofrimento e danos relacionados ao trabalho. Entre os pontos observados estão
ritmo de trabalho, demandas, comunicação, reconhecimento profissional, relações
de confiança, esgotamento emocional e desmotivação.
Segundo
Adriana Maria Gurgel Gomes, psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade
Federal do Ceará (UFC), o objetivo é permitir que as empresas reconheçam os
sinais de risco antes que eles se agravem.
“Quando
falamos em riscos psicossociais, estamos olhando para situações presentes na
própria organização do trabalho que podem afetar a saúde e o bem-estar das
pessoas. Sobrecarga, relações conflituosas, falta de reconhecimento e modelos
inadequados de gestão, quando persistentes, podem gerar impactos importantes”,
explica.
A
solução foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar formada por Ana Raquel
Silva Rocha Suderio, mestre em Administração e doutoranda em Administração pela
Universidade Estadual do Ceará (UECE); Adriana Maria Gurgel Gomes, psicóloga e
mestre em Psicologia pela UFC; Laura Mendonça, especialista em Gestão
Estratégica de Pessoas; Pedro Junior, especialista em benefícios e cuidados
corporativos; e Luciano Lopes, CTO e desenvolvedor de software formado em
Análise de Sistemas. Na etapa inicial do projeto, Sérgio Salomão foi o primeiro
desenvolvedor do sistema e participou da construção da solução desde os
primeiros passos.
O
desenvolvimento da Lucis Saúde recebeu apoio do Sebrae por meio do Catalisa
ICT, programa voltado a aproximar pesquisas e conhecimento científico do
mercado e estimular negócios de base tecnológica. Na seleção da qual o projeto
participou, foram apresentadas 858 propostas, com 316 aprovadas.
A
metodologia da plataforma tem como referência o Protocolo de Avaliação dos
Riscos Psicossociais no Trabalho (PROART) e conceitos da Psicodinâmica do
Trabalho. A partir dos dados coletados, a ferramenta gera inventário de riscos
psicossociais, matriz de risco, relatório técnico, plano de ação e dashboards
para acompanhamento dos indicadores.
A aplicação
pode ser realizada de forma digital e remota, com anonimato dos participantes e
medidas de confidencialidade. A solução também foi estruturada considerando as
exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A
proposta dos criadores é fazer com que a saúde mental deixe de ser tratada
apenas quando os problemas já estão instalados e passe a integrar de maneira
mais estruturada a gestão e a prevenção dentro das organizações. Desenvolvida
no Ceará e impulsionada pelo apoio do Sebrae, a Lucis Saúde reúne conhecimentos
de psicologia, administração, gestão de pessoas, cuidados corporativos e
tecnologia para transformar informações sobre o ambiente de trabalho em ações
de prevenção.

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