O
início de um novo ano costuma ser decisivo para a gestão financeira dos
condomínios. Em 2026, esse planejamento se torna ainda mais relevante diante de
um cenário de aumento da inadimplência e maior pressão sobre os custos
operacionais, exigindo decisões mais estratégicas por parte de síndicos e
administradores.
Logo
nos primeiros meses do ano, despesas fixas como folha de pagamento, contratos
de manutenção, limpeza e segurança concentram grande parte do orçamento
condominial. Enquanto para os moradores, ainda há a concentração de outras despesas no começo
do ano, como IPVA, IPTU, matrículas,
materiais escolares e mais. Dessa forma, Viviane Torquato, especialista
na área condominial e diretora comercial da MyBlue, explica que é
imprescindível que a administração do condomínio evite desorganização
financeira e busque equilíbrio de caixa em seu projeto financeiro.
“Quando
esse trabalho é feito de forma profissional e posto em prática no início do
ano, a gestão ganha clareza sobre prioridades, previne flutuações de caixa e
consegue evitar decisões tomadas às pressas, que normalmente resultam em gastos
maiores e dificuldade de programação de investimentos e formação de fundo de
reserva ao longo do exercício”, avalia a especialista.
Outro
fator determinante para o sucesso de um planejamento orçamentário é acertar a
inadimplência da taxa de condomínio. Segundo o último Índice de Inadimplência
Condominial, 7,19% das contas deixaram de ser pagas no país, afetando
diretamente a previsibilidade financeira dos prédios.
“A
inadimplência compromete diretamente a projeção de caixa porque reduz a
capacidade do condomínio de cumprir compromissos básicos. Então, se torna
inevitável adiar investimentos necessários e inviabiliza manter uma rotina
operacional estável. Sem previsão de receita, a gestão acaba trabalhando sempre
no limite ", comenta Viviane.
No
caso do Ceará, o planejamento financeiro condominial se mostra muito necessário
nos últimos anos, já que, segundo levantamento do Instituto de Estudos de
Protesto de Títulos do Brasil Seção Ceará (IEPTB-CE), o Estado acumula, entre
2020 e agosto de 2025, cerca de R$ 9 milhões em dívidas condominiais
protestadas em cartório.
Nesse
contexto, uma das estratégias adotadas por condomínios é a contratação de
garantidoras condominiais, que ajudam a preservar a previsibilidade financeira.
Essa solução permite que a administração execute o planejamento anual sem
depender exclusivamente da pontualidade dos pagamentos. A especialista explica
que, ao assegurar o fluxo de recursos, o condomínio reduz a necessidade de
taxas extras e mantém serviços essenciais em funcionamento, haja vista dispor
de toda a receita do condomínio todos os meses, pontualmente.
“Esse
modelo traz mais segurança para a gestão, porque permite que os projetos saiam
do papel e sejam executados, mesmo em cenários de inadimplência. A rotina de
compromissos ordinários terá sempre os meios para ser cumprida fidedignamente,
uma vez que os recursos necessários à realização estarão sempre disponíveis de
forma segura e previsível”, pontua Viviane.
Diante
de um cenário econômico mais desafiador e de números que refletem a pressão
sobre o caixa dos condomínios, o planejamento financeiro para 2026 se consolida
como uma medida preventiva fundamental. Mais do que equilibrar receitas e
despesas, planejar é garantir continuidade dos serviços, transparência na
gestão e maior estabilidade para síndicos e moradores ao longo de todo o ano.
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