Especialista
aponta mudança no comportamento de compra e destaca a importância da qualidade
dos materiais, da personalização e da vida útil do mobiliário
Comprar,
usar por poucos anos e substituir. Durante muito tempo, essa lógica também
alcançou os móveis dentro de casa. Mas um movimento de consumo começa a colocar
outra pergunta no centro da decisão: quanto tempo aquilo que estou comprando
realmente vai fazer parte da minha vida?
Entre
as tendências de consumo apontadas pelo Sebrae para 2026 está justamente a
passagem “do descartável ao durável”. A instituição identifica uma busca por
menos excesso e mais valor, com produtos duráveis, multifuncionais e de vida
útil prolongada ganhando espaço, além de manutenção, reparo e personalização.
No
setor moveleiro, essa mudança encontra um consumidor mais cauteloso. Dados da
ABIMÓVEL mostram que 2025 terminou com desaceleração do consumo interno e
demanda mais seletiva por bens duráveis diante de crédito e orçamento doméstico
mais restritos. Já entre janeiro e maio de 2026, a produção brasileira de
móveis e colchões ficou 2% abaixo do mesmo período do ano anterior, apesar de
uma reação mensal de 3,4% em maio.
Para
Nadson Bezerra, fundador da Moveo Design, esse contexto tende a aumentar a
atenção não somente ao preço de compra, mas ao custo daquele móvel ao longo do
tempo.
“Quando
o consumidor começa a pensar em vida útil, muda a forma de avaliar um móvel.
Material, ferragens, acabamento, montagem e possibilidade de adaptação passam a
importar tanto quanto a aparência. Um produto barato que precisa ser
substituído rapidamente pode deixar de representar economia”, explica.
Mas
como identificar um móvel feito para durar?
A
durabilidade nem sempre está naquilo que mais chama atenção no showroom.
Segundo Nadson, alguns dos pontos importantes ficam justamente onde o
consumidor pouco olha: estrutura, espessuras e especificações adequadas ao uso,
qualidade das ferragens, sistemas de abertura, acabamento das bordas e precisão
da montagem.
A
forma como o móvel é projetado também interfere na vida útil. Uma cozinha, por
exemplo, está sujeita a umidade, calor, gordura, peso e uso constante. Já um
closet ou escritório apresenta outras exigências.
“Não existe
apenas a pergunta ‘qual é o melhor material?’. Existe o material mais adequado
para aquela aplicação. Quando projeto, matéria-prima e execução não conversam,
até um material de boa qualidade pode ter seu desempenho comprometido”, afirma
Nadson.
Personalização
vai além da estética
Outro
aspecto desse movimento é a mudança no próprio significado de personalização.
Escolher cores e acabamentos é apenas uma parte do processo. Um móvel pensado
para as medidas do imóvel, para os objetos que precisa armazenar e para a
rotina dos moradores tende a evitar espaços inutilizados e soluções que
rapidamente deixam de atender à família.
O
debate sobre longevidade também chegou à própria indústria. Em 2026, a ABIMÓVEL
e a ApexBrasil lançaram uma nova edição do Programa de Sustentabilidade da
Indústria do Mobiliário (SIMB), incorporando métricas de sustentabilidade e uma
estrutura de certificação. A ABIMÓVEL também participa, com a ABNT, da revisão
e elaboração de referenciais técnicos voltados, entre outros atributos, a
móveis mais seguros, funcionais, duráveis e sustentáveis.
Para
quem está mobiliando ou reformando a casa, Nadson recomenda observar algumas
questões antes de fechar a compra: qual material será utilizado em cada área?
Como são as ferragens? Existe assistência depois da instalação? O projeto
considera o uso real daquele ambiente? É possível fazer manutenção ou
substituir componentes sem trocar todo o móvel?
“Durabilidade
não significa que um móvel precise permanecer igual para sempre. Um bom projeto
também precisa considerar manutenção e a possibilidade de acompanhar mudanças
na rotina. É uma visão menos imediatista sobre aquilo que colocamos dentro de
casa”, acrescenta.
Em um
mercado acostumado a apresentar novidades a cada temporada, talvez uma das
tendências mais relevantes seja justamente o contrário: comprar menos vezes,
escolher melhor e fazer o móvel permanecer por mais tempo.

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