Perceber
que as placas ficaram mais difíceis de identificar, precisar semicerrar os
olhos para enxergar melhor ou sentir maior dificuldade para dirigir à noite são
situações que muitas pessoas acabam atribuindo ao cansaço. Quando esses sinais
se tornam frequentes, porém, eles também podem estar relacionados a alterações
da visão, entre elas o astigmatismo.
O
astigmatismo é um erro refrativo que pode deixar as imagens borradas ou
distorcidas tanto de perto quanto de longe. Alterações na curvatura da córnea
ou do cristalino fazem com que a luz não seja focalizada adequadamente, podendo
provocar visão embaçada, esforço ocular, dores de cabeça, necessidade de
semicerrar os olhos e dificuldade para enxergar em algumas situações,
especialmente à noite.
Segundo
o médico oftalmologista Dr. Gustavo Arruda, especialista em cirurgia refrativa,
um dos problemas é que muitas pessoas acabam se acostumando gradualmente com
uma visão que já não está adequada.
“A
pessoa pode passar muito tempo acreditando que enxerga normalmente porque se
acostumou com a própria visão borrada. Quando começa a forçar os olhos,
semicerrar para enxergar ou percebe dificuldade principalmente à noite, é
importante investigar”, explica Dr. Gustavo Arruda.
Atenção
especial ao dirigir à noite
A
dificuldade pode se tornar mais perceptível durante a condução noturna, quando
o motorista depende da identificação rápida de placas, veículos, pedestres e
objetos à distância. Faróis, pontos luminosos e situações de menor contraste
também podem tornar o desconforto mais evidente em pessoas que apresentam
alterações refrativas.
“Dirigir
à noite não deveria se tornar progressivamente mais difícil e ser tratado como
algo normal. Se a pessoa percebe que precisa fazer mais esforço para reconhecer
placas ou que sua visão noturna piorou, vale procurar a causa. O astigmatismo é
uma possibilidade, mas existem outras alterações oculares que podem produzir
sintomas semelhantes”, ressalta o oftalmologista.
Por
isso, dificuldade para dirigir à noite, isoladamente, não confirma o
diagnóstico de astigmatismo. Da mesma forma, a presença de dor de cabeça não
significa necessariamente que o problema esteja nos olhos. Diferentes condições
podem provocar sintomas semelhantes, e a avaliação oftalmológica é importante para
identificar a origem do desconforto.
Os
erros refrativos estão entre os problemas visuais mais frequentes e, quando não
corrigidos adequadamente, podem comprometer atividades simples do dia a dia. Em
alguns casos, graus leves de astigmatismo podem gerar poucos sintomas e até
passar despercebidos durante anos. Em outros, o paciente percebe maior
dificuldade em atividades que exigem precisão visual, como leitura prolongada,
uso de telas e direção.
Quando
procurar o oftalmologista?
Visão
borrada ou distorcida recorrente, necessidade frequente de semicerrar os olhos,
esforço para focalizar, dores de cabeça associadas ao esforço visual e piora da
visão noturna são sinais que justificam uma avaliação, principalmente quando
começam a interferir na rotina.
“O
objetivo não é fazer com que qualquer episódio de dor de cabeça ou dificuldade
para dirigir seja interpretado como astigmatismo. O que chama atenção é a
repetição dos sintomas e a mudança na qualidade da visão. Enxergar não deveria
exigir esforço constante”, afirma Dr. Gustavo.
A
consulta oftalmológica permite avaliar não apenas a presença de astigmatismo,
miopia ou hipermetropia, mas também verificar a saúde dos olhos e investigar
outras possíveis causas para os sintomas apresentados.
Quando
diagnosticado, o astigmatismo pode ser corrigido de acordo com as
características de cada paciente. Óculos e lentes de contato estão entre as
alternativas mais utilizadas. Para pacientes adequadamente selecionados, após
avaliação individualizada e exames específicos, procedimentos de cirurgia
refrativa também podem ser considerados com o objetivo de corrigir o grau e
reduzir a dependência de óculos ou lentes de contato.
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