Empresas
brasileiras terão até 26 de maio de 2026 para se adequar às novas exigências da
Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a prever a identificação e gestão
de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Em meio a esse novo cenário,
uma plataforma desenvolvida no Ceará busca ajudar organizações a cumprir a
legislação e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho das equipes.
Criada
pela empresária e neuropsicóloga cearense Liane Bastos, a plataforma
Neurolaudos oferece diagnóstico digital de saúde mental organizacional, com
análise de fatores que impactam diretamente o rendimento dos colaboradores. A
ferramenta reúne dados clínicos e indicadores de gestão para auxiliar empresas
na tomada de decisões.
De
acordo com estudos internacionais, cada 1 dólar investido em saúde mental pode
gerar retorno de até a 4 dólares em produtividade. O cenário oposto também traz
custos elevados: apenas em 2024, o Brasil registrou 472 mil afastamentos por
transtornos mentais, crescimento de 68% em relação ao ano anterior, com média
de 62 dias de afastamento por trabalhador.
Além
disso, com a entrada em vigor da fiscalização da NR-1, companhias que não
possuírem diagnóstico documentado de riscos psicossociais podem ser multadas em
R$ 6.708 por colaborador.
Segundo
Liane Bastos, a proposta da plataforma é transformar uma obrigação legal em
estratégia de gestão. "A NR-1 abriu uma janela. Mas o que estamos
entregando vai muito além do cumprimento legal. Estamos dando às empresas a
capacidade de enxergar o que está acontecendo dentro das suas equipes, identificar
o que está travando a produtividade setor por setor e agir antes que isso vire
afastamento, turnover ou processo trabalhista”, afirma.
Dados
A
avaliação é realizada de forma 100% digital, por meio de um link enviado aos
colaboradores, e leva entre 35 e 60 minutos para ser concluída, sem interferir
na rotina operacional das empresas.
Após a
aplicação, a organização recebe relatórios individuais sigilosos, painéis
consolidados por área, mapa de riscos psicossociais integrado ao Programa de
Gerenciamento de Riscos (PGR) e indicadores estratégicos como índice de
presenteísmo, classificação de risco por setor e recomendações de ação.
O
presenteísmo, quando o trabalhador está presente, mas com desempenho
comprometido, é apontado como um dos fatores mais caros para as empresas.
Diferentemente do afastamento, ele muitas vezes não aparece nos indicadores
tradicionais de RH, mas pode representar um impacto financeiro até quatro vezes
maior.
“Nós
transformamos dados clínicos em informação de gestão. O gestor não recebe
apenas um diagnóstico, mas indicadores claros do que precisa ser melhorado para
que a produtividade da equipe aumente de fato”, explica a neuropsicóloga.
A
documentação gerada pela plataforma também pode servir como base para obtenção
do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, previsto na Lei Federal nº
14.831/2024, considerado um diferencial competitivo para atração e retenção de
talentos.

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