sábado, 21 de março de 2026

PLATAFORMA CRIADA POR NEUROPSICÓLOGA CEARENSE LANÇA SOLUÇÃO QUE TRANSFORMA SAÚDE MENTAL EM PRODUTIVIDADE

Liane Bastos

Empresas brasileiras terão até 26 de maio de 2026 para se adequar às novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a prever a identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Em meio a esse novo cenário, uma plataforma desenvolvida no Ceará busca ajudar organizações a cumprir a legislação e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho das equipes.

Criada pela empresária e neuropsicóloga cearense Liane Bastos, a plataforma Neurolaudos oferece diagnóstico digital de saúde mental organizacional, com análise de fatores que impactam diretamente o rendimento dos colaboradores. A ferramenta reúne dados clínicos e indicadores de gestão para auxiliar empresas na tomada de decisões.

De acordo com estudos internacionais, cada 1 dólar investido em saúde mental pode gerar retorno de até a 4 dólares em produtividade. O cenário oposto também traz custos elevados: apenas em 2024, o Brasil registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais, crescimento de 68% em relação ao ano anterior, com média de 62 dias de afastamento por trabalhador.

Além disso, com a entrada em vigor da fiscalização da NR-1, companhias que não possuírem diagnóstico documentado de riscos psicossociais podem ser multadas em R$ 6.708 por colaborador.

Segundo Liane Bastos, a proposta da plataforma é transformar uma obrigação legal em estratégia de gestão. "A NR-1 abriu uma janela. Mas o que estamos entregando vai muito além do cumprimento legal. Estamos dando às empresas a capacidade de enxergar o que está acontecendo dentro das suas equipes, identificar o que está travando a produtividade setor por setor e agir antes que isso vire afastamento, turnover ou processo trabalhista”, afirma.

Dados

A avaliação é realizada de forma 100% digital, por meio de um link enviado aos colaboradores, e leva entre 35 e 60 minutos para ser concluída, sem interferir na rotina operacional das empresas.

Após a aplicação, a organização recebe relatórios individuais sigilosos, painéis consolidados por área, mapa de riscos psicossociais integrado ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e indicadores estratégicos como índice de presenteísmo, classificação de risco por setor e recomendações de ação.

O presenteísmo, quando o trabalhador está presente, mas com desempenho comprometido, é apontado como um dos fatores mais caros para as empresas. Diferentemente do afastamento, ele muitas vezes não aparece nos indicadores tradicionais de RH, mas pode representar um impacto financeiro até quatro vezes maior.

“Nós transformamos dados clínicos em informação de gestão. O gestor não recebe apenas um diagnóstico, mas indicadores claros do que precisa ser melhorado para que a produtividade da equipe aumente de fato”, explica a neuropsicóloga.

A documentação gerada pela plataforma também pode servir como base para obtenção do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, previsto na Lei Federal nº 14.831/2024, considerado um diferencial competitivo para atração e retenção de talentos.


 

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