Em um
cenário onde as mulheres compõem a maioria absoluta do eleitorado, a
comunicação política no Dia Internacional da Mulher precisa evoluir do protocolo
para a prática. O especialista em marketing político Stênio Muniz acende o
alerta para que candidatos e mandatários abandonem mensagens genéricas e
compreendam que o 8 de março não é uma data decorativa, mas um marco que nasce
da luta histórica por igualdade. Para Muniz, quem está na vida pública precisa
entender que a data exige mais do que uma homenagem protocolar, exigindo uma
prestação de contas sobre o que de fato foi feito para ampliar direitos e
oportunidades. Segundo o especialista, a comunicação deve ser pautada pela
substância: "O Dia Internacional da Mulher não é sobre protocolo, é sobre
história. E a história precisa ser respeitada", afirma.
Essa
mudança de postura é urgente quando analisamos a força do voto feminino no
Brasil. Atualmente, as mulheres representam 52,47% do eleitorado nacional,
somando mais de 81,8 milhões de eleitoras. No Ceará, essa proporção é ainda
mais expressiva, chegando a aproximadamente 52,8% do total de votantes. No
entanto, o peso nas urnas ainda não se reflete proporcionalmente nos espaços de
poder. Embora o Brasil tenha registrado um avanço nas eleições municipais de
2024, com 724 prefeitas eleitas no primeiro turno, o número representa apenas
cerca de 15% das prefeituras do país. No Legislativo, as mulheres ocupam hoje
17,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 20% no Senado Federal.
No
cenário cearense, o contraste entre quem vota e quem é eleito permanece como um
desafio democrático. A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALECE) vive
sua maior bancada feminina da história, com 9 deputadas estaduais, o que
representa um crescimento de 80% em relação à legislatura anterior. Contudo,
elas ocupam apenas 19,5% das 46 cadeiras totais da casa. Esses números reforçam
a tese de Stênio Muniz de que a comunicação política deve ir além do círculo
familiar do político, como mãe, esposa ou filha, e falar diretamente com as
trabalhadoras, empreendedoras e líderes comunitárias que decidem os rumos das
eleições, mas que ainda lutam por uma representatividade real.
Para
Muniz, o político que deseja ser assertivo precisa dominar o conceito da data e
entender para quem está falando antes de publicar qualquer conteúdo. Se existe
um mandato, a comunicação deve ser pautada em entregas reais; se existe uma
candidatura, deve ser baseada em uma trajetória que valide essa representação.
A análise do especialista conclui que ser mulher na política não é apenas
ocupar um espaço, mas manter a luta ativa por direitos. O objetivo é que o 8 de
março deixe de ser um dia de "cards" vazios para se tornar um momento
de reflexão sobre como transformar a maioria eleitoral feminina em uma
representação política proporcional e efetiva.
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