O
início do segundo semestre no Ceará marca o começo da temporada de ventos mais
intensos, fenômeno que se estende habitualmente até o final do ano. Embora o
período seja associado à prática de esportes náuticos e ao alívio da sensação
térmica, a combinação de rajadas de vento com a baixa umidade relativa do ar e
a maior suspensão de poeira e poeira fina exige atenção da população. De acordo
com dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a
velocidade média dos ventos no Estado costuma ultrapassar os 30 km/h nesta
época, com rajadas que podem superar os 50 km/h, especialmente na faixa
litorânea e nas serras.
Esse
cenário de alteração climática e maior dispersão de partículas impacta
diretamente a saúde. A exposição prolongada ao ar seco e ao vento forte acelera
o ressecamento das vias aéreas superiores, criando um ambiente propício para o
agravamento de patologias, como rinite, asma e bronquite, além do surgimento da
síndrome do olho seco e de conjuntivites.
Segundo
o doutor Artur Lima, médico otorrinolaringologista da Rede Oto, uma das
principais funções das mucosas do nariz e dos olhos é atuar como uma barreira
física contra agentes externos. Quando há o ressecamento dessa camada de
proteção natural, o organismo perde parte da capacidade de filtrar as impurezas
do ar.
"O
vento forte transporta uma quantidade significativamente maior de pólen e
ácaros em suspensão. Ao entrarem em contato com uma mucosa previamente desidratada, essas partículas
provocam processos inflamatórios imediatos. Isso explica o aumento do número de
pacientes relatando espirros frequentes, obstrução nasal, coceira intensa nos
olhos e episódios de sangramento nasal decorrentes do rompimento de pequenos
vasos", explica o médico especialista da Rede Oto.
A prevenção
baseia-se principalmente em medidas de higienização e hidratação contínuas. A
lavagem nasal diária com soro fisiológico a 0,9% auxilia na remoção mecânica
dos alérgenos depositados nas narinas e repõe a umidade local. Para a proteção
ocular, o uso de óculos de proteção ou de sol ao ar livre reduz o contato
direto do vento com os olhos, devendo-se evitar o ato de coçar a região para
não gerar lesões.
A
manutenção do nível de hidratação corporal também é apontada pelo especialista
como fator determinante, especialmente entre crianças e idosos, populações mais
vulneráveis à desidratação. Além do consumo regular de água, o manejo do
ambiente doméstico deve priorizar a limpeza com panos úmidos em vez de
vassouras ou espanadores, evitando a elevação da poeira acumulada nos móveis e
pisos. A busca por atendimento médico especializado é recomendada caso os
sintomas alérgicos persistam por vários dias ou venham acompanhados de febre e
falta de ar.

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