O
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, apresenta, a partir de 29
de agosto, às 10h, a exposição “UNA”, de Roberto Galvão, nome de destaque nas
artes visuais do Ceará. A mostra reúne 114 obras, sendo 14 esculturas, 98
trabalhos sobre papel e duas telas, distribuídas nas duas galerias do Museu da
Cultura Cearense. Com curadoria de Kadma Marques, curadoria adjunta de Júlio Mesquita
e expografia assinada por Túlio Paracampos, a exposição permanece aberta ao
público até 1º de novembro, com visitação gratuita. A realização é da
Casadazartes Galeria de Artes.
Em
suas exposições mais recentes, como “Jardim Interior” (2023) e “Sertão Galvão”
(2024), o artista apresentou uma explosão cromática, celebrando a fertilidade
da Natureza e a vida que pulsa no Sertão. Inspirado pelas flores do seu próprio
jardim e pela vegetação nativa - como mandacarus, damas-da-noite, chananas e
orquídeas - enveredou por um caminho onde o real é apenas o ponto de partida
para o exercício da linguagem puramente pictórica. Nas duas mostras citadas,
ele assumiu o colorido vibrante como um diálogo com a universalidade da arte
contemporânea, mostrando a vida que também brota no solo árido do sertão.
Agora,
num gesto de ruptura, Roberto Galvão apresenta a série “UNA”, cujo título é um
sufixo em nheengatu, língua indígena da região amazônica, que significa preto,
negro. O artista vem trabalhando há algum tempo nesta temática para fazer ver a
existência dos dois lados. “O sertão é luz, cor vibrante e, ao mesmo tempo,
seco e agreste. A beleza encontra-se presente nas duas faces. A poética do
sertão é luz e cor intensa, assim como também é silêncio e vastidão”, diz o
artista.
Entre
criação, memória e transformação
Nascido
em Fortaleza, em 1950, Roberto Galvão construiu uma trajetória marcada pela
experimentação e pelo diálogo com diferentes linguagens das artes visuais.
Assim como o colorido vibrante, a cor preta aparece em uma diversidade de
temáticas, suportes e técnicas, da presença que se insinua até a afirmação do
universo fecundo de onde brota a vida.
Nas
décadas iniciais de sua trajetória, a cor preta aparecia muitas vezes como
instrumento de construção do desenho, definindo contornos e registrando
figuras. Ao longo dos anos essa relação se tornou mais complexa. Nas
xilogravuras e águas-fortes produzidas pelo artista, o preto ganhou densidade e
passou a participar da construção de personagens, animais híbridos e criaturas
que transitavam entre o imaginário e referências do universo sertanejo.
Essa
investigação também se relacionou a trabalhos apresentados em exposições
anteriores, como “Black White”, em que a cor ocupava um papel central na
composição das figuras, e “Mato Branco”, projeto dos anos 2000 que reuniu
pinturas, aquarelas, desenhos, gravuras e esculturas, onde as linhas escuras
características da gravura foram transformadas em tramas vegetais brancas,
retorcidas e entrelaçadas, muitas vezes marcadas por espinhos.
Em
“UNA”, essa produção é revisitada a partir de um elemento que atravessa
diferentes momentos de sua carreira: a utilização do preto como matriz de
criação. A partir do preto, Roberto Galvão desenvolveu figuras, paisagens,
animais, formas híbridas e estruturas que transitam entre o reconhecível e o
imaginário. O resultado é uma produção que permite diferentes interpretações e
aproxima o espectador de um universo em permanente transformação.
A
exposição parte justamente dessa recorrência para propor uma leitura de
conjunto da obra do artista. O percurso evidencia como a cor esteve presente em
diferentes fases de sua produção, assumindo funções distintas e estabelecendo
relações com temas como a natureza, o sertão, a memória, o corpo e os processos
de criação.
Assim,
é por meio desse elemento que, no intenso trabalho de ateliê, Roberto Galvão
segue na busca pela capacidade de abstração, síntese e sonho, transformando
essa expressão em linguagem plástica e em fazer artístico.
Sobre
Roberto Galvão
Roberto
Galvão é graduado e mestre em História Social pela Universidade Federal do
Ceará (UFC), onde defendeu a monografia “A Escola Invisível: Artes Plásticas em
Fortaleza (1924-1958)”. Sua atuação artística ultrapassou as fronteiras do
Ceará e do Brasil. Ao longo da carreira, Galvão participou de exposições em
países como Argentina, Cuba, Uruguai, Portugal, Espanha, Polônia, França,
Alemanha e Bulgária, consolidando uma trajetória marcada pela circulação de sua
produção em diferentes contextos culturais.
SERVIÇO
Exposição
“UNA”, de Roberto Galvão
Local:
Museu da Cultura Cearense – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza
(CE)
Período:
29 de agosto a 1º de novembro de 2026.
Abertura:
Dia 29/08, às 10h
Visitação:
de quarta a sábado, das 9h às 18h30; domingos e feriados das 10h às 19h.
Acesso
gratuito
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