Às
vésperas das provas, psiquiatra Alfredo Holanda alerta para sinais de
sofrimento emocional entre estudantes e explica como identificar quando a
pressão pelo desempenho começa a prejudicar a saúde mental
A
proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costuma aumentar a
ansiedade entre estudantes que se preparam para uma das principais etapas de
acesso ao ensino superior no Brasil. O medo de não alcançar uma boa nota, a
pressão familiar e a preocupação com o futuro profissional podem transformar os
últimos dias de preparação em um período de sobrecarga emocional. Embora o
nervosismo seja uma reação natural diante de uma prova importante, a
intensidade e a frequência dos sintomas merecem atenção.
Segundo
o médico psiquiatra Dr. Alfredo Holanda, a ansiedade, em níveis moderados, pode
ajudar a manter o estudante atento e motivado. O sinal de alerta aparece quando
o sentimento começa a prejudicar o sono, a alimentação, a concentração e outras
atividades da rotina.
“Sentir
ansiedade antes de uma prova importante é esperado. O sinal de alerta aparece
quando esse sentimento deixa de ser pontual e começa a dominar a rotina do
estudante. Insônia frequente, crises de choro, irritabilidade, sensação
constante de incapacidade e até sintomas físicos podem indicar que a pressão
ultrapassou os limites saudáveis”, explica o psiquiatra.
Dados
da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março de 2026, reforçam a
importância de discutir a saúde emocional dos jovens. O levantamento
identificou que 42,9% dos estudantes de 13 a 17 anos se sentiam irritados,
nervosos ou mal-humorados com frequência. Entre as meninas, o percentual chegou
a 58,1%, enquanto entre os meninos foi de 27,6%. A pesquisa também apontou que
28,9% dos adolescentes relataram sentimentos frequentes de tristeza. Embora os
dados não sejam específicos sobre o Enem, ajudam a dimensionar a importância do
cuidado com a saúde mental nessa faixa etária.
Em
2026, o Enem será realizado nos dias 8 e 15 de novembro, conforme o calendário
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(Inep). Na reta final, a recomendação é evitar jornadas excessivas de estudo,
preservar o sono e manter uma rotina equilibrada.
Entre
os sinais que merecem atenção estão palpitações, falta de ar, desconfortos
gastrointestinais, dificuldade de concentração, pensamentos negativos
recorrentes e sensação de perda de controle. Esses sintomas não significam
necessariamente a presença de um transtorno de ansiedade, mas, quando intensos
ou persistentes, justificam uma avaliação profissional.
“É
importante que o estudante compreenda que seu valor não está condicionado ao
resultado de uma prova. O Enem é uma etapa importante, mas não define sozinho o
futuro de ninguém. Preservar o sono, manter uma alimentação adequada, fazer
pausas e evitar comparações constantes são atitudes que ajudam a reduzir a
sobrecarga emocional. Quando a ansiedade se torna incapacitante, procurar ajuda
especializada é fundamental”, destaca Alfredo Holanda.
O
papel da família também merece atenção nesse período. Cobranças excessivas,
comparações com outros candidatos e discursos que associam o desempenho
acadêmico ao sucesso pessoal podem aumentar a insegurança dos estudantes. Por
outro lado, o diálogo, o acolhimento e o reconhecimento do esforço durante a
preparação ajudam a diminuir a pressão.
“A
família precisa ser uma rede de apoio, não mais uma fonte de pressão. Muitas
vezes, o estudante já está se cobrando além do necessário. Nesse momento,
oferecer segurança emocional e demonstrar que existem possibilidades de futuro
independentemente do resultado é uma das formas mais importantes de cuidado”,
conclui o psiquiatra.
Quando
a ansiedade começa a comprometer a rotina e o bem-estar, o acompanhamento
psicológico ou psiquiátrico pode ajudar a identificar as causas do sofrimento e
orientar o tratamento adequado.

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