O crescimento das denúncias de assédio no ambiente de trabalho reforça a
necessidade de que empresas estejam preparadas para agir como rede de proteção
às mulheres. Dados divulgados pelo Tribunal Superior do Trabalho mostram que,
em 2025, os novos processos por assédio sexual na Justiça do Trabalho cresceram
40% em relação ao ano anterior, somando mais de 12 mil ações. No mesmo período,
os casos de assédio moral também registraram aumento significativo, com 142.828
novos processos.
Os números revelam uma realidade que vai além das estatísticas. Muitas
mulheres que enfrentam situações de violência, seja no ambiente doméstico ou
profissional, continuam inseridas no mercado de trabalho e levam para a rotina
corporativa os impactos emocionais e psicológicos dessas experiências.
Para a ABRH-CE, o setor de Recursos Humanos deve atuar como ponto de
acolhimento e orientação. A presidente da entidade, Kássia Sales, afirma que a
empresa pode ser, em muitos casos, o espaço mais estruturado de apoio ao qual
essa mulher tem acesso. “O aumento das demandas na Justiça do Trabalho
demonstra que o problema está mais visível, mas também evidencia que ainda há
falhas na prevenção. O RH precisa estar atento aos sinais e preparado para agir
com responsabilidade”, destaca.
Entre os indícios que podem acender um alerta estão mudanças bruscas de
comportamento, isolamento, faltas frequentes, queda repentina de desempenho,
crises de ansiedade ou medo constante. Embora nenhum desses fatores confirme,
isoladamente, uma situação de violência, eles indicam necessidade de escuta
qualificada e acompanhamento.
A entidade recomenda que empresas adotem protocolos internos claros para
lidar com casos de assédio e outras formas de violência de gênero. Isso inclui
canais de denúncia seguros, garantia de confidencialidade, fluxos de
encaminhamento e capacitação de lideranças para oferecer primeiros socorros
psicológicos e orientação adequada.
“Não basta apenas reagir quando o problema já virou processo judicial. A
prevenção passa por cultura organizacional, liderança preparada e políticas
internas que deixem claro que qualquer forma de violência ou assédio é
inaceitável. Não se trata de substituir o sistema de justiça ou a rede pública,
mas de garantir que a empresa não seja um espaço de omissão”, afirma Kássia.
Durante o Mês da Mulher, a ABRH-CE reforça que combater a violência de
gênero também é uma responsabilidade corporativa. Estruturas internas
preparadas, governança ativa e ambiente seguro são medidas que protegem
colaboradoras, fortalecem a reputação institucional e contribuem para relações
de trabalho mais saudáveis.

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