Em um
setor onde apenas 6% das 250 maiores empresas brasileiras são lideradas por
mulheres, a chegada da administradora Carla Pontes como co-CEO do Grupo
Marquise simboliza o avanço feminino em áreas historicamente dominadas por
homens, como engenharia, infraestrutura e construção pesada
Levantamento
da Bain & Company, divulgado em 2024, mostra que a presença feminina em
cargos executivos chegou a cerca de 34%, mas o topo da hierarquia corporativa
permanece predominantemente masculino — especialmente nos segmentos ligados a
projetos estruturantes.
A
co-CEO, Carla Pontes, que acaba de assumir a liderança de um dos principais
conglomerados do País que atua em áreas estratégicas como infraestrutura,
soluções e serviços ambientais, será mais uma líder feminina a ocupar um lugar
no cenário eminentemente masculino.
Formada
em Administração pela FGV-SP e com mestrado pela Harvard Business School, Carla
Pontes iniciou a carreira no setor financeiro, com passagens por Santander e
Ernst & Young. No Grupo Marquise, atuou na controladoria, na direção da
sede administrativa do Grupo e no conselho de administração, além de liderar
operações em varejo e comunicação. Fora da atuação no Grupo Marquise, fundou
uma fintech de crédito; um negócio próprio, desenvolvido a partir de sua
expertise em mercado financeiro.
A
transição para o topo da liderança ocorre em um cenário de retomada dos
investimentos estruturantes no Brasil. O Novo PAC prevê R$ 1,3 trilhão até 2026
para áreas como saneamento, logística, energia e mobilidade — segmentos
tradicionalmente associados à liderança masculina nos quais o Grupo Marquise
tem tradição.
Fundado
em 1974, o Grupo Marquise atua em infraestrutura, serviços ambientais e
incorporação imobiliária, com operações em diferentes regiões do País
A
sucessão de Carla Pontes, que fará a gestão coparticipada com Paulo Marcelo
Braga de Santana, ocorreu após os acionistas fundadores passarem a atuar no
Conselho de Administração, em sintonia com a nova visão do Grupo, de apostar em
uma liderança feminina, preparada para o processo de expansão dos negócios em
um momento de grandes investimentos públicos e privados em infraestrutura,
saneamento de resíduos sólidos e empreendimentos imobiliários do País.
Os
números do grupo reforçam essa diretriz. Segundo o Relatório de Impacto
Socioambiental 2025, 49% dos cargos de gestão na sede administrativa são
ocupados por mulheres; no conjunto das unidades de negócio, o índice é de 31%.
A política interna de formação de lideranças inclui expoentes como a executiva
Suzana Marinho, à frente da GNR Fortaleza, planta de biometano do Grupo e
referência nacional na produção e injeção de gás renovável na rede de
distribuição de gás do Ceará, sendo responsável pela produção de 31% do
biometano do País, conforme dados da ANP- Agência Nacional do Petróleo, Gás
Natural e Biocombustíveis.
Atualmente
o Grupo lidera obras consideradas estratégicas, como frentes da Ferrovia
Transnordestina, no Nordeste, e as barragens de Pedreira e Duas Pontes, em São
Paulo, iniciativas associadas à logística e à segurança hídrica.
Na
área ambiental, o Grupo atende cerca de 23 milhões de pessoas com serviços de
coleta e destinação de resíduos por diversas cidades do Brasil. Também
implantou a primeira planta do País a injetar 100% do biometano produzido a
partir de resíduos na rede de distribuição de gás, operação alinhada à agenda
de transição energética.
Segundo
Carla, assumir o comando nesse contexto tem dimensão simbólica e estratégica.
Para a executiva, a presença feminina em posições de decisão amplia a
capacidade analítica das organizações e qualifica escolhas estratégicas.
“Estamos
falando de setores que moldam o desenvolvimento do País e exigem decisões
técnicas, visão de longo prazo e capacidade de execução. Diversidade, nesse
ambiente, não é discurso — é ativo de governança. O desafio é estruturar uma
liderança preparada para decisões complexas, combinando análise rigorosa,
leitura de cenário e responsabilidade na alocação de capital”, afirma.

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