O número de pessoas com obesidade aumentou 118% nas últimas duas décadas
no Brasil, segundo dados mais recentes do Vigitel, pesquisa do Ministério da
Saúde. Atualmente, mais de 62% dos brasileiros apresentam excesso de peso
(condição que engloba sobrepeso e obesidade), consolidando o problema como um
dos principais desafios de saúde pública do país.
Em Fortaleza, o cenário é ainda mais preocupante e exige ação imediata.
De acordo com o último levantamento, a obesidade atinge 23,1% da população
adulta, cerca de um em cada quatro fortalezenses. Além disso, 59,5% dos adultos
apresentam excesso de peso, seis em cada dez pessoas.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e
Metabólica – Capítulo Ceará, Dr. Paulo Campelo, os números confirmam que o
problema é estrutural e acendem um alerta. “A obesidade é uma doença crônica,
complexa, progressiva e multifatorial, relacionada a fatores genéticos,
metabólicos, ambientais e comportamentais. O paciente precisa de acompanhamento
médico adequado, assim como ocorre com qualquer outra doença. Não se pode
fechar os olhos e normalizar a obesidade”, afirma.
O especialista ressalta que a condição é tratável, mas o atraso na busca
por atendimento aumenta o risco de complicações como doenças cardiovasculares,
apneia do sono, câncer e diabetes tipo 2. “Não se trata apenas de emagrecer por
estética ou aceitação social, mas de tratar uma condição que compromete a saúde
ao longo dos anos. O acompanhamento especializado é fundamental para definir a
melhor abordagem”, explica.
Conscientização e acesso ao tratamento
Dr. Paulo Campelo salienta que há casos em que a obesidade atinge um
grau de complexidade metabólica que não responde mais apenas a dietas e
exercícios físicos. “Para esses pacientes, o tratamento clínico com
medicamentos específicos ou a cirurgia bariátrica deixam de ser alternativas e
passam a ser indicações. A proposta não é substituir hábitos saudáveis, mas
oferecer uma ferramenta eficaz quando mudanças isoladas no estilo de vida já
não são suficientes para que a pessoa chegue a um peso compatível com sua saúde
e reduza riscos associados”.
O especialista reitera que nenhum tratamento funciona de forma isolada.
“Os resultados duradouros só acontecem quando há mudança real de hábitos e
acompanhamento médico contínuo. Isso envolve reeducação alimentar, prática
regular de atividade física, controle do sono e suporte psicológico. Sem esse
cuidado permanente, o organismo tende a recuperar peso ao longo do tempo, já
que a obesidade envolve mecanismos hormonais e metabólicos”, destaca.
Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade reforça a
importância da prevenção e do acesso ao tratamento adequado. Para o Dr. Paulo
Campelo, a data é um chamado à ação. “Estamos falando de reduzir o risco de
infarto, AVC, diabetes e diversas outras doenças graves. O combate à obesidade
não é uma luta individual, mas um esforço coletivo. Sociedade, profissionais de
saúde e poder público precisam atuar juntos para fortalecer políticas públicas
e garantir acesso a tratamento e suporte adequados”, conclui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário