É
janeiro, as crianças estão o dia inteiro em casa e os pais sentem no bolso os
efeitos disso. Durante as férias, a ida ao supermercado passa a refletir de
forma clara a mudança no consumo das famílias. Sem as refeições programadas da
merenda escolar, o carrinho de compras tende a ficar mais cheio, e diferente,
impondo a necessidade de planejar para dar conta dos cafés da manhã, lanches,
almoços e outras comilanças ao longo do dia.
Ano
passado, uma pesquisa da Datatudo analisou o comportamento de famílias durante
as férias escolares no Brasil e apontou que muitas residências enfrentam
desafios de planejamento financeiro e organização de gastos no recesso das
crianças, inclusive com alimentação.
Entre
os principais impactos percebidos está o crescimento da compra de itens para
lanches rápidos e práticos: biscoitos, pães, bolos, iogurtes, achocolatados,
cereais matinais, sucos prontos e congelados. Produtos associados ao
entretenimento das crianças, como pipoca, sorvetes e snacks, também costumam
registrar aumento de demanda, impulsionados pelo maior tempo em frente à
televisão, aos jogos e às atividades em casa.
Ao
mesmo tempo, há um incremento na compra de alimentos básicos e ingredientes
para preparo de refeições completas. Arroz, feijão, massas, carnes, ovos e
hortifrutis passam a ser adquiridos em maior quantidade, já que muitas famílias
optam por concentrar mais refeições dentro do lar.
Segundo
Carlos Vasconcelos, diretor do supermercado Hipermarket, associado à Rede
Uniforça, o impacto das férias é perceptível. “A gente nota que o fluxo de compras
aumenta quando as crianças estão de férias, com uma procura maior por produtos
voltados a esse público, principalmente aqueles associados à praticidade. E
cresce a venda de itens básicos, porque as famílias cozinham mais”, explica.
Ele destaca ainda que, nos últimos anos, alguns consumidores têm buscado
alternativas mais equilibradas. “Já vemos mais interesse por versões integrais,
iogurtes com menos açúcar e frutas prontas para consumo”, acrescenta.
Para a
nutricionista Paloma Ramalho, as férias podem ser uma oportunidade estratégica
para diversificar a alimentação das crianças. Ela dá duas orientações simples
que ajudam as famílias a economizar e garantir boa nutrição: “Variar as formas
de preparo dos alimentos naturais ajuda a romper com a mesmice. Frutas podem
ser servidas como espetinhos coloridos, vitaminas ou picolés caseiros; legumes
podem aparecer em panquecas, bolinhos assados ou molhos”, sugere.
A
segunda recomendação envolve o equilíbrio nas escolhas. “Não temos que proibir
alimentos que as crianças gostam, mas ampliar o repertório. Combinar um lanche
mais permissivo com opções nutritivas, como frutas e castanhas, ajuda a
construir uma relação mais saudável com a comida”, orienta a nutricionista.
Assim,
embora as férias escolares tragam desafios para o orçamento e para a
organização das compras, elas também abrem espaço para novas experiências
alimentares. Com planejamento e escolhas conscientes no supermercado, é
possível atravessar o período garantindo praticidade, prazer à mesa e cuidado
com a saúde das crianças.
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