O
aumento dos casos de depressão e o envelhecimento da população têm ampliado a
busca por abordagens complementares capazes de promover mais qualidade de vida
aos pacientes. Entre elas, a musicoterapia vem conquistando espaço como uma
importante aliada no cuidado à saúde mental e no acompanhamento de pessoas com
Alzheimer e outras demências.
Segundo
a Alzheimer’s Disease International, aproximadamente 55 milhões de pessoas
vivem com demência no mundo, número que pode chegar a 139 milhões até 2050. A
Doença de Alzheimer responde por cerca de 60% a 70% dos casos de demência,
tornando-se um dos principais desafios para os sistemas de saúde e para as
famílias.
A
musicoterapia utiliza a música de forma terapêutica para estimular funções
cognitivas, emocionais e sociais. Estudos apontam que a técnica pode contribuir
para reduzir sintomas de ansiedade e depressão, favorecer a interação social,
estimular lembranças afetivas e minimizar episódios de agitação em pessoas com
Alzheimer.
Apesar
dos benefícios, especialistas alertam que a prática deve integrar um plano
terapêutico multidisciplinar e ser conduzida por profissionais qualificados.
Segundo
Josiane Araújo, sócia-fundadora do Clube de Terapia, a música é uma ferramenta
capaz de estabelecer conexões importantes mesmo quando outras formas de
comunicação se tornam difíceis.
“A
música alcança lugares que, muitas vezes, as palavras não conseguem. Na
depressão, ela favorece a expressão dos sentimentos, fortalece vínculos e
contribui para o bem-estar emocional. Já nas pessoas com Alzheimer,
determinadas canções despertam lembranças, promovem interação e proporcionam
momentos de conexão com familiares e cuidadores. É uma ferramenta terapêutica
que humaniza o cuidado e melhora significativamente a qualidade de vida.”
Para
Marcelo Niza, socio do Clube de Terapia, os benefícios também se estendem aos
familiares, que passam a vivenciar momentos de maior aproximação com os
pacientes.
“A
musicoterapia cria oportunidades de acolhimento e conexão entre pacientes,
familiares e cuidadores. Muitas vezes, uma simples melodia desperta emoções,
facilita a comunicação e fortalece vínculos, tornando o cuidado mais leve,
humanizado e significativo.”
Além
de favorecer a cognição e o equilíbrio emocional, a musicoterapia estimula a
participação em atividades coletivas, reduz o isolamento social e fortalece o
sentimento de pertencimento, aspectos fundamentais para pessoas que convivem
com transtornos mentais e doenças neurodegenerativas.
Quando
a musicoterapia pode ser indicada?
* Como
complemento ao tratamento da depressão;
* Para
pessoas com Alzheimer e outras demências;
* Em
casos de ansiedade e isolamento social;
* Para
estimular memória, linguagem e interação;
* Como
estratégia para melhorar a qualidade de vida de pacientes e cuidadores.
Especialistas
reforçam que a musicoterapia não substitui o tratamento médico, mas pode
potencializar os resultados quando integrada ao acompanhamento realizado por
uma equipe multiprofissional. A combinação de diferentes abordagens
terapêuticas costuma favorecer a autonomia, a cognição, a mobilidade e o
bem-estar dos pacientes. Entre as atividades que podem compor esse cuidado
estão alongamento e exercícios físicos orientados, hidroginástica, pilates,
treinamento funcional adaptado, estímulos cognitivos estruturados, oficinas de
memória, musicoterapia, atividades recreativas e lúdicas, socialização guiada,
vivências terapêuticas em grupo, alimentação balanceada com acompanhamento
profissional, além de uma rotina assistida por cuidadores capacitados, que
oferecem acompanhamento especializado.
Para
os especialistas, o tratamento mais eficaz é aquele que enxerga o paciente de
forma integral, reunindo diferentes terapias e profissionais para promover mais
autonomia, qualidade de vida, bem-estar e acolhimento tanto para quem enfrenta
a doença quanto para seus familiares e cuidadores.

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