Uma
nova dinâmica de trabalho tem desafiado a gestão de pessoas no cenário
corporativo: o quiet vacationing, ou férias silenciosas. O fenômeno consiste na
prática de colaboradores que viajam para momentos de lazer, mas continuam
cumprindo suas jornadas remotamente, sem solicitar férias formais ou comunicar
a liderança. Segundo dados da consultoria Harris Poll, cerca de 28% dos
trabalhadores admitem a prática, índice que chega a quase 40% entre a Geração Z
e os Millennials, motivados pelo receio de acumular demandas pendentes em uma
ausência formal.
Para
Fernanda Macedo, psicóloga da Life DH, consultoria especializada em
desenvolvimento humano e cultura organizacional, o movimento sinaliza ruídos na
relação de confiança entre líderes e liderados. De acordo com Fernanda, a
omissão ocorre muitas vezes porque o profissional teme que o descanso formal
gere sobrecarga no retorno ou insegurança profissional. Quando o ambiente não
favorece a transparência, o funcionário opta por conciliar o lazer e a entrega
de forma velada.
Embora
o trabalho remoto seja consolidado, a falta de alinhamento traz riscos
jurídicos, fiscais e de segurança da informação, especialmente em redes Wi-Fi
públicas. Além disso, o colaborador anula o propósito do descanso ao tentar
equilibrar o lazer com as metas profissionais ocultas, elevando as chances de
esgotamento mental.
A
análise da psicóloga aponta que a solução não está no monitoramento excessivo,
mas no fortalecimento da segurança psicológica e em políticas claras sobre onde
e como o trabalho pode ser executado. Quando as lideranças incentivam o
descanso regular e gerenciam por resultados, a necessidade de ocultar as ausências
diminui significativamente.

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