A
tragédia registrada neste mês em Fortaleza, onde um homem de 55 anos faleceu
após sofrer um mal súbito enquanto praticava exercícios em uma academia no
bairro Dom Lustosa, volta a colocar em debate a segurança na prática de
atividades físicas no Ceará. O episódio reflete uma estatística nacional
alarmante: dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC)
apontam que o Brasil registra cerca de 320 mil casos de morte súbita por ano,
dos quais cerca de 80% estão associados a doenças coronarianas e eventos
isquêmicos.
Diante
do acontecimento na capital cearense, Dr. Mateus Feitosa, cardiologista clínico
e intervencionista da Rede Oto, faz um alerta rigoroso para a necessidade da
Avaliação Pré-Participação (APP) antes do início ou da intensificação de
treinos físicos. Segundo o especialista “O esforço de alta intensidade atua
como um gatilho para eventos cardiovasculares agudos em indivíduos com
condições cardíacas assintomáticas ou não diagnosticadas, como a aterosclerose
e arritmias graves.”.
De
acordo com o especialista ”A prática regular de exercícios é um dos pilares
para a saúde cardiovascular, a falta de exames preventivos básicos, como
eletrocardiograma, teste ergométrico e ecocardiograma, deixa o praticante
vulnerável a colapsos repentinos.”. O médico ressalta que sinais como dor ou
aperto no peito, tonturas, palpitações e falta de ar desproporcional ao esforço
nunca devem ser ignorados, funcionando como alertas de urgência emitidos pelo
organismo.
O
cardiologista lembra ainda que o tempo de resposta em emergências dentro de
estabelecimentos esportivos e locais públicos é determinante para a
sobrevivência. Estimativas médicas indicam que a chance de sobrevida cai cerca
de 7% a 10% a cada minuto sem atendimento após uma parada cardíaca. Nesses
cenários, a presença de profissionais treinados em suporte básico de vida e a
disponibilidade imediata de um Desfibrilador Externo Automático (DEA) são
essenciais para reverter arritmias fatais antes da chegada do socorro
especializado.
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