domingo, 18 de outubro de 2026

PROJETO DO IGC BRASIL APOSTA NA EXPERIÊNCIA DE PESSOAS 60+ PARA HUMANIZAR A RECEPÇÃO EM UNIDADES DE SAÚDE

Foto divulgação

Em dez anos, o número de brasileiros com 60 anos ou mais trabalhando saltou de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões, um aumento de 53%, bem acima do crescimento da própria população idosa no período, mas o dado tem outra face, mais da metade desses trabalhadores, cerca de 53%, está na informalidade, contra 41% entre os jovens de 18 a 24 anos, segundo levantamento da Nexus com base na PNAD Contínua, do IBGE. O país tem cada vez mais gente com mais de 60 anos trabalhando, mas nem sempre em vagas formais e com acesso a direitos.

É nesse cenário que o Instituto de Gestão e Cidadania (IGC Brasil) idealizou o projeto Acolhe Mais. A iniciativa contrata e capacita pessoas com 60 anos ou mais para atuar na recepção e na orientação de pacientes nas unidades de saúde geridas pelo instituto. A ideia nasceu de uma jornada de debates promovida pelo Ministério Público do Ceará, há cerca de um ano.

Na prática, o projeto já existe na UPA de Horizonte, com duas profissionais no acolhimento: Rita Cássia, no período da manhã, e Ana Célia, à tarde. Elas recebem quem chega, explicam como funciona a unidade e acompanham o paciente até o momento do atendimento.

Rita tem 64 anos, é natural de Alagoas e conta que o projeto veio num momento em que ela já não esperava voltar ao mercado. "Pensei que não ia mais trabalhar e o projeto veio para agregar à minha vida, o melhor momento da minha vida. Eu achava que não ia mais ter condições de trabalhar", relata. Sobre a rotina, ela resume: "A gente está ali para acolher, para ajudar."

Os primeiros resultados reforçam o impacto. Em pesquisa de percepção feita com pacientes, 94% disseram que as orientações ajudaram a entender para onde ir ou o que fazer na unidade, avaliaram como boa ou ótima a forma como foram recebidos e afirmaram que ter alguém disponível para acolher na chegada fez diferença. Entre as palavras mais citadas pelos pacientes para definir o projeto estão acolhimento, humanização, atenção e agilidade. Entre os colaboradores das unidades, o relato é de mais organização do fluxo e mais facilidade de acesso aos serviços.

Para a presidente do IGC Brasil, Ticiana Mota, o projeto deve se transformar em uma política institucional. "Já iniciamos com o piloto na nossa UPA de Horizonte e, agora vamos expandir para todas as nossas unidades, que hoje somam nove, no Ceará e em Sergipe. O nosso intuito é a expansão do programa, inclusive para além da saúde", afirma.

Os profissionais passam por uma etapa de capacitação em atendimento humanizado, comunicação, acolhimento e integração às rotinas de saúde. A próxima fase prevê a chegada do projeto às UPAs de Pacatuba e Maracanaú.


 

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