Em dez
anos, o número de brasileiros com 60 anos ou mais trabalhando saltou de 5,7
milhões para quase 8,8 milhões, um aumento de 53%, bem acima do crescimento da
própria população idosa no período, mas o dado tem outra face, mais da metade
desses trabalhadores, cerca de 53%, está na informalidade, contra 41% entre os
jovens de 18 a 24 anos, segundo levantamento da Nexus com base na PNAD
Contínua, do IBGE. O país tem cada vez mais gente com mais de 60 anos
trabalhando, mas nem sempre em vagas formais e com acesso a direitos.
É
nesse cenário que o Instituto de Gestão e Cidadania (IGC Brasil) idealizou o
projeto Acolhe Mais. A iniciativa contrata e capacita pessoas com 60 anos ou
mais para atuar na recepção e na orientação de pacientes nas unidades de saúde
geridas pelo instituto. A ideia nasceu de uma jornada de debates promovida pelo
Ministério Público do Ceará, há cerca de um ano.
Na
prática, o projeto já existe na UPA de Horizonte, com duas profissionais no
acolhimento: Rita Cássia, no período da manhã, e Ana Célia, à tarde. Elas
recebem quem chega, explicam como funciona a unidade e acompanham o paciente
até o momento do atendimento.
Rita
tem 64 anos, é natural de Alagoas e conta que o projeto veio num momento em que
ela já não esperava voltar ao mercado. "Pensei que não ia mais trabalhar e
o projeto veio para agregar à minha vida, o melhor momento da minha vida. Eu
achava que não ia mais ter condições de trabalhar", relata. Sobre a
rotina, ela resume: "A gente está ali para acolher, para ajudar."
Os
primeiros resultados reforçam o impacto. Em pesquisa de percepção feita com
pacientes, 94% disseram que as orientações ajudaram a entender para onde ir ou
o que fazer na unidade, avaliaram como boa ou ótima a forma como foram
recebidos e afirmaram que ter alguém disponível para acolher na chegada fez
diferença. Entre as palavras mais citadas pelos pacientes para definir o
projeto estão acolhimento, humanização, atenção e agilidade. Entre os
colaboradores das unidades, o relato é de mais organização do fluxo e mais
facilidade de acesso aos serviços.
Para a
presidente do IGC Brasil, Ticiana Mota, o projeto deve se transformar em uma
política institucional. "Já iniciamos com o piloto na nossa UPA de
Horizonte e, agora vamos expandir para todas as nossas unidades, que hoje somam
nove, no Ceará e em Sergipe. O nosso intuito é a expansão do programa,
inclusive para além da saúde", afirma.
Os
profissionais passam por uma etapa de capacitação em atendimento humanizado,
comunicação, acolhimento e integração às rotinas de saúde. A próxima fase prevê
a chegada do projeto às UPAs de Pacatuba e Maracanaú.

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