Como
médico urologista, afirmo sem hesitação que o check-up urológico ainda é
subestimado, e essa negligência cobra um preço alto, especialmente quando
falamos no diagnóstico tardio de doenças graves, como o câncer de próstata.
Precisamos enfrentar tabus, desinformação e o hábito cultural de só procurar o
médico quando os sintomas já estão instalados.
Homens
e mulheres precisam cuidar da saúde urológica ao longo de toda a vida. A
urologia não se restringe ao aparelho reprodutor masculino, como ainda pensam
muitos. Mulheres devem, e devem mesmo, procurar o urologista diante de
infecções urinárias de repetição, incontinência urinária, cálculos renais ou
alterações na bexiga. Ignorar esses sinais é adiar um cuidado que pode ser
simples no início e complexo mais adiante.
Quando
falo especificamente aos homens, reforço que o rastreamento do câncer de
próstata é um ponto central do check-up urológico. Insisto que a primeira
consulta de rotina ocorra, em geral, a partir dos 45 anos de idade, com
periodicidade anual, mesmo na ausência de sintomas. Sustento, porém, que essa
avaliação deve começar antes quando há histórico familiar de câncer, doenças
urológicas, infecções urinárias recorrentes, alterações urinárias ou disfunções
sexuais. Antecipar o cuidado é uma decisão responsável.
É
comum que pacientes me perguntem se existe um exame único e definitivo capaz de
prevenir o câncer de próstata. Explico que o rastreamento adequado se baseia na
combinação de exames. A dosagem do PSA, feita por meio de exame de sangue, e o
toque retal são procedimentos complementares e indispensáveis para uma
avaliação correta da próstata. Defender um e rejeitar o outro é comprometer a
eficácia do diagnóstico precoce.
Como
comunidade médica, também reconhecemos os avanços tecnológicos disponíveis. Em
situações específicas, podemos lançar mão de exames complementares, como a
ressonância magnética multiparamétrica da próstata, a ultrassonografia
transretal e a biópsia prostática guiada por fusão de imagens. Esses recursos
permitem maior precisão diagnóstica, avaliação da extensão da doença e
definição da melhor conduta clínica para cada paciente.
Faço
questão de destacar que são exames, em sua maioria, acessíveis à população. No
Sistema Único de Saúde, procedimentos como a ultrassonografia transretal e a
biópsia da próstata estão previstos, embora saibamos que ainda enfrentamos
filas e tempo de espera. Ainda assim, reforço: entrar na fila é sempre melhor
do que não procurar atendimento algum.
Por
fim, sustento que cuidar da saúde urológica é um ato de responsabilidade
consigo mesmo e com quem nos cerca. O check-up não é excesso, não é paranoia e
muito menos fraqueza. É prevenção. E prevenção, na medicina, continua sendo o
caminho mais seguro para salvar vidas.

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