quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

CHECK-UP UROLÓGICO

Dr. Diego Capibaribe

Como médico urologista, afirmo sem hesitação que o check-up urológico ainda é subestimado, e essa negligência cobra um preço alto, especialmente quando falamos no diagnóstico tardio de doenças graves, como o câncer de próstata. Precisamos enfrentar tabus, desinformação e o hábito cultural de só procurar o médico quando os sintomas já estão instalados.

Homens e mulheres precisam cuidar da saúde urológica ao longo de toda a vida. A urologia não se restringe ao aparelho reprodutor masculino, como ainda pensam muitos. Mulheres devem, e devem mesmo, procurar o urologista diante de infecções urinárias de repetição, incontinência urinária, cálculos renais ou alterações na bexiga. Ignorar esses sinais é adiar um cuidado que pode ser simples no início e complexo mais adiante.

Quando falo especificamente aos homens, reforço que o rastreamento do câncer de próstata é um ponto central do check-up urológico. Insisto que a primeira consulta de rotina ocorra, em geral, a partir dos 45 anos de idade, com periodicidade anual, mesmo na ausência de sintomas. Sustento, porém, que essa avaliação deve começar antes quando há histórico familiar de câncer, doenças urológicas, infecções urinárias recorrentes, alterações urinárias ou disfunções sexuais. Antecipar o cuidado é uma decisão responsável.

É comum que pacientes me perguntem se existe um exame único e definitivo capaz de prevenir o câncer de próstata. Explico que o rastreamento adequado se baseia na combinação de exames. A dosagem do PSA, feita por meio de exame de sangue, e o toque retal são procedimentos complementares e indispensáveis para uma avaliação correta da próstata. Defender um e rejeitar o outro é comprometer a eficácia do diagnóstico precoce.

Como comunidade médica, também reconhecemos os avanços tecnológicos disponíveis. Em situações específicas, podemos lançar mão de exames complementares, como a ressonância magnética multiparamétrica da próstata, a ultrassonografia transretal e a biópsia prostática guiada por fusão de imagens. Esses recursos permitem maior precisão diagnóstica, avaliação da extensão da doença e definição da melhor conduta clínica para cada paciente.

Faço questão de destacar que são exames, em sua maioria, acessíveis à população. No Sistema Único de Saúde, procedimentos como a ultrassonografia transretal e a biópsia da próstata estão previstos, embora saibamos que ainda enfrentamos filas e tempo de espera. Ainda assim, reforço: entrar na fila é sempre melhor do que não procurar atendimento algum.

Por fim, sustento que cuidar da saúde urológica é um ato de responsabilidade consigo mesmo e com quem nos cerca. O check-up não é excesso, não é paranoia e muito menos fraqueza. É prevenção. E prevenção, na medicina, continua sendo o caminho mais seguro para salvar vidas.


 

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