Mesmo
em um cenário de retomada econômica e aumento do número de pequenos negócios no
Brasil, um fator silencioso tem limitado o crescimento de muitas
empreendedoras: a falta de confiança na própria capacidade de vender.
Especialistas em comportamento e desenvolvimento humano alertam que, embora o
mercado apresente oportunidades reais, inseguranças internas, autossabotagem e
o desalinhamento entre identidade e ação continuam sendo entraves
significativos para a performance comercial.
O tema
ganha ainda mais relevância quando se observa o avanço do empreendedorismo
feminino no país. Dados recentes mostram que as mulheres concentram sua atuação
principalmente no setor de serviços (56,8%) e no comércio (25,1%), áreas
diretamente ligadas ao atendimento ao cliente, negociação e conversão de
vendas. Ainda assim, o crescimento desses negócios nem sempre acompanha o
potencial do mercado, justamente por barreiras comportamentais que impactam a
segurança na hora de vender.
Além
disso, estudos de comportamento do consumidor indicam que cerca de 80% das
pessoas não tinham intenção real de compra antes de serem impactadas por uma
boa abordagem comercial. Ou seja, a decisão de compra é majoritariamente
emocional, e acontece quando há conexão, confiança e clareza na comunicação.
Ignorar esse fator é um dos grandes erros estratégicos dos negócios que travam
suas vendas sem perceber.
Para
Paula Hernandez, especialista em comportamento humano e tomada de decisão,
vender não é apenas um processo racional, mas profundamente emocional. “Vender
é um ato de comunicação e presença. Quando a empreendedora não confia
plenamente no próprio valor, no que entrega e na legitimidade do seu discurso,
isso se reflete imediatamente na conversão. A insegurança não está na oferta,
está na forma como ela é sustentada internamente”, afirma.
Embora
indicadores de confiança empresarial apontem otimismo entre micro e pequenos
negócios, esse cenário positivo nem sempre se traduz em resultados comerciais
consistentes. Um dos motivos está no erro número um de muitos empresários: não
priorizar o comercial. Ao se envolver excessivamente na rotina operacional,
acumulando tarefas e apagando incêndios, muitos deixam de acompanhar números,
indicadores e decisões estratégicas que sustentam as vendas no dia a dia.
Outro
ponto crítico está na ausência de um processo comercial claro. Vendas não podem
depender apenas de esforço ou improviso. Um processo precisa ser simples,
atraente e fácil de executar, tanto para quem vende quanto para quem compra.
Quando o caminho é confuso, longo ou inseguro, a conversão naturalmente cai,
independentemente da qualidade do produto ou serviço.
Fatores
como autossabotagem, medo de julgamento, crenças limitantes sobre merecimento e
excesso de autocobrança aparecem com frequência entre empreendedoras e acabam
interferindo diretamente na precificação, na constância das vendas e na
capacidade de crescimento sustentável. Mesmo negócios bem estruturados podem
sofrer estagnação quando quem lidera não se sente segura para ocupar plenamente
o lugar de autoridade que o próprio mercado exige.
“O que
muitas mulheres vivem hoje não é falta de competência, mas um desalinhamento
entre identidade e ação. Elas sabem o que precisam fazer, mas não se sentem
seguras para sustentar esse movimento no dia a dia do negócio”, reforça Paula
Hernandez.
Em um
mercado cada vez mais competitivo, no qual a diferenciação passa pela
confiança, pela clareza de posicionamento e pela capacidade de gerar conexão,
especialistas defendem que trabalhar o comportamento e a mentalidade de venda
deixou de ser um diferencial e se tornou uma necessidade estratégica. Resgatar
a confiança na própria capacidade de vender, estruturar processos comerciais
simples e acompanhar números com consistência são caminhos diretos para
transformar potencial em resultado real, fortalecer lideranças femininas e
sustentar o crescimento dos pequenos negócios no Brasil.

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