O mês
de janeiro marca a campanha Janeiro Branco, dedicada à conscientização sobre a
importância dos cuidados com a mente e as emoções. Em um cenário cada vez mais
digitalizado, especialistas alertam que a hiperconectividade tem se tornado um
dos principais desafios para o bem-estar contemporâneo. De acordo com dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil apresenta altos índices de
ansiedade e depressão, condições que podem ser exacerbadas pela comparação
constante e pelo fluxo ininterrupto de informações presentes nas plataformas
digitais. O uso excessivo das redes sociais está diretamente ligado ao aumento
do isolamento social no mundo real e ao desenvolvimento de distúrbios do sono,
afetando a qualidade de vida de diferentes faixas etárias.
O psicólogo
Víctor Costa explica que a dinâmica dos espaços virtuais é projetada para
capturar a atenção do usuário por períodos prolongados, muitas vezes gerando um
ciclo de gratificação instantânea mediado pela dopamina. Segundo o
especialista, o grande problema reside no fato de que o consumo desenfreado de
conteúdos selecionados e filtrados cria uma falsa sensação de realidade,
levando o indivíduo a uma autocrítica severa e à sensação de insuficiência. Ele
afirma que a exposição contínua a vidas aparentemente perfeitas e a busca
incessante por validação através de curtidas e comentários podem desestruturar
a autoestima, funcionando como um gatilho para crises de ansiedade e episódios
depressivos, especialmente quando o usuário não consegue distinguir o mundo digital
do presencial.
Para
mitigar esses impactos negativos, é fundamental estabelecer uma relação mais
consciente e intencional com a tecnologia. “Proteger a saúde mental no ambiente
virtual exige a imposição de limites claros, como a organização de uma rotina
que permita conciliar as demandas digitais com momentos de lazer, passeios com
amigos e familiares e hobbies fora das telas”, destaca o profissional, que
ainda sugere que o usuário faça uma curadoria rigorosa de quem segue,
priorizando perfis que promovam conteúdos saudáveis e autênticos em detrimento
daqueles que geram desconforto ou sentimentos de inferioridade.
Além
disso, o psicólogo alerta ainda para o perigo dos jogos de azar e apostas
online, cujo vício é frequentemente alimentado pela ilusão do dinheiro fácil,
levando a prejuízos financeiros e severo desgaste mental. Por isso, priorizar o
autocuidado e conexões reais pode garantir que a campanha do início do ano seja
um ponto de partida para hábitos mais saudáveis ao longo de todo o ano.
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