A
inteligência artificial já faz parte da jornada de consumo dos brasileiros e
está transformando a maneira como produtos e serviços são descobertos,
comparados e escolhidos. Pesquisa divulgada em 2026 aponta que 37% dos
brasileiros já realizaram ao menos uma compra influenciada por ferramentas de
IA. Entre os adultos da geração Z, esse percentual chega a 46%.
Para
Paula Hernandez, estrategista de posicionamento, marketing e vendas, essa
transformação também exige uma mudança na forma como empresas utilizam a
tecnologia.
“A IA não
elimina a necessidade de estratégia. Quanto mais ferramentas estiverem
disponíveis, mais importante será saber qual utilizar, para qual objetivo e,
principalmente, o que fazer com aquilo que ela entrega.”
IA é
ferramenta. Estratégia é o diferencial.
Hoje
existem inteligências artificiais e aplicativos especializados para
praticamente todas as etapas de um negócio: pesquisa, conteúdo, análise de
dados, atendimento, prospecção, relacionamento e vendas.
O
desafio, segundo Paula, é não confundir acesso à tecnologia com capacidade
estratégica.
“Não acredito
em simplesmente delegar o marketing para uma inteligência artificial. Existem
IAs e aplicativos excelentes para objetivos específicos, mas alguém precisa
enxergar o negócio em várias camadas e conectar posicionamento, marketing e
vendas.”
Nesse
cenário, o profissional deixa de ser apenas um executor de ferramentas e assume
um papel de orquestrador.
Isso
envolve saber fazer as perguntas certas, analisar respostas, verificar
informações, interpretar dados e transformar tudo isso em decisões coerentes com
os objetivos do negócio.
Quanto
mais automação, mais valor no artesanal
A
popularização da inteligência artificial também cria um paradoxo: quanto mais
fácil se torna produzir em escala, maior pode ser o valor percebido naquilo que
demonstra personalização, intenção e cuidado.
Para
Paula, esse princípio é especialmente importante para negócios que desejam
construir um posicionamento premium.
“Eu
acredito em um processo artesanal premium. Isso não significa rejeitar a
tecnologia. Significa utilizá-la para ampliar nossa capacidade sem terceirizar
para ela o pensamento estratégico.”
Por isso,
uma resposta produzida por IA não deveria ser simplesmente aceita. É preciso
questionar, verificar, contextualizar e acrescentar repertório humano.
“Ferramentas
estarão disponíveis para todos. O diferencial estará em quem souber utilizá-las
com estratégia, senso crítico e intenção.”
A venda
começa antes do vendedor
A
inteligência artificial também amplia uma transformação que já vinha
acontecendo no comportamento do consumidor.
Antes de
conversar com uma empresa, uma pessoa pode pesquisar avaliações, acompanhar
conteúdos, comparar concorrentes, consultar uma IA e formar sua própria
percepção sobre determinada marca.
Isso faz
com que posicionamento, marketing e vendas estejam cada vez mais conectados.
“Eu vejo
o negócio em camadas. O posicionamento constrói percepção. O marketing comunica
valor. E o comercial transforma essa percepção em oportunidade de negócio.
Quando essas camadas estão desconectadas, a empresa pode ter um excelente
produto e ainda assim perder vendas.”
O
profissional do futuro será um orquestrador
Com
ferramentas cada vez mais acessíveis, dominar apenas a execução tende a deixar
de ser um grande diferencial.
Estratégia,
repertório, criatividade, leitura de contexto, comportamento humano e
capacidade de tomar decisões passam a ganhar ainda mais relevância.
Para
Paula, não se trata de escolher entre inteligência artificial e inteligência
humana.
“A
tecnologia pode acelerar processos, mas velocidade sem direção não é
estratégia. Não será necessariamente quem usar mais IA que irá se destacar.
Será quem souber orquestrar tecnologia, estratégia e inteligência humana para
construir posicionamento, gerar valor e transformar isso em resultado
comercial.”
Em um
mercado cada vez mais automatizado, o diferencial pode estar justamente naquilo
que nenhuma ferramenta entrega sozinha: visão estratégica, senso crítico e
compreensão humana.

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