O
trabalho análogo à escravidão segue como uma realidade no Ceará e no Brasil,
exigindo atuação contínua do poder público e das instituições de justiça. Dados
oficiais indicam que, entre 1995 e 2024, 744 pessoas foram libertadas de
situações de trabalho escravo no Ceará, o equivalente a 1,1% do total nacional.
Casos
recentes reforçam esse cenário: entre 26 de outubro e 5 de novembro de 2025,
uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 20
trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em regiões do Cariri
e do sertão do Ceará, Piauí e Pernambuco. Entre as vítimas havia, inclusive, um
adolescente de 15 anos.
No
mesmo ano, em uma fiscalização, o MTE resgatou uma trabalhadora doméstica de 61
anos vivendo sob a violação no município de Crato. O episódio ilustra como a
exploração laboral não se restringe ao campo ou a grandes empreendimentos,
também se manifesta em contextos urbanos e domésticos, atingindo principalmente
pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Para a
Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Ceará (ADPEC), o
enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo deve ser tratado como
prioridade permanente na agenda da defesa de direitos. “A prática não é um
resquício do passado, mas uma violação atual e concreta. Nossa atuação enquanto
defensoras e defensores públicos tem papel fundamental na garantia de acesso à
justiça, na proteção das vítimas e na responsabilização dos exploradores, mas o
cenário continua exigindo respostas firmes do Estado e da sociedade”, pontua a
presidenta da ADPEC, Kelviane Barros.
Atualmente,
o Ceará possui uma estrutura institucional de enfrentamento ao trabalho
escravo, composta principalmente pela Comissão Estadual para Erradicação do
Trabalho Escravo (COETRAE-CE) e por comitês ligados ao sistema de Justiça, que
articulam políticas públicas, fiscalização e ações de proteção às vítimas.
A
ADPEC reforça que a proteção de direitos deve passar necessariamente pelo
fortalecimento de políticas públicas de fiscalização, prevenção e reparação aos
explorados. Destaca, também, que um combate de sucesso pede articulação entre
instituições, investimento em fiscalização e ampliação das redes de proteção
social.
“Cada
pessoa resgatada representa uma vida que teve seus direitos negados. Combater o
trabalho escravo é afirmar a dignidade humana e reafirmar o compromisso do
Estado com a justiça social”, destaca Kelviane Barros. Para a ADPEC, enfrentar
a prática é condição indispensável para se construir um modelo de desenvolvimento
que respeite direitos fundamentais e promova trabalho digno no Ceará e no
Brasil.
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