Com a
chegada do verão, um velho comportamento ganha nova roupagem. Se antes as
dietas milagrosas dominavam o discurso do emagrecimento rápido, agora são as
chamadas “canetas emagrecedoras” que ocupam o centro das atenções. A busca por
resultados imediatos cresce, impulsionada por redes sociais, promessas de perda
de peso acelerada e a ideia de que é possível “resolver o corpo” em poucas
semanas.
Medicamentos
como Ozempic, Wegovy e Mounjaro possuem indicação clínica e respaldo
científico, especialmente no tratamento da obesidade e de distúrbios metabólicos.
O alerta surge quando essas substâncias deixam de ser ferramentas terapêuticas
e passam a ser encaradas como solução universal para qualquer insatisfação
corporal, muitas vezes utilizadas sem acompanhamento adequado ou com foco
exclusivamente estético.
Especialistas
chamam atenção para um fenômeno cada vez mais evidente: a medicalização
acelerada do corpo. “O discurso mudou, mas a lógica permanece. Troca-se a dieta
milagrosa por uma prescrição rápida. O corpo deixa de ser processo e passa a
ser projeto com prazo, geralmente determinado por eventos sociais, viagens ou
pelo verão”, avaliam profissionais da área.
Para o
nutrólogo Victor Camarão, o maior risco está em tratar a medicação como solução
isolada. “Esses medicamentos têm indicação e função clínica muito clara. O
problema é quando são usados como atalho estético, sem estratégia e sem mudança
de comportamento. Emagrecimento sustentável não acontece sem ajuste de rotina,
alimentação, sono e treino”, ressalta.
Segundo
especialistas, tratar o emagrecimento como um evento pontual ignora fatores
essenciais como preservação de massa magra, saúde metabólica e comportamento
alimentar. “É comum ver pessoas perderem peso na balança, mas empobrecerem
metabolicamente. Saúde não pode ser medida apenas pelo número que aparece”,
pontua Victor Camarão.
Outro
ponto de atenção é o risco de dependência farmacológica. As canetas reduzem o
apetite, mas não constroem autonomia alimentar nem corrigem hábitos que levaram
ao ganho de peso. “Nenhuma medicação ensina a comer melhor, a treinar com
consistência ou a lidar com compulsões. Sem um plano estruturado, o efeito
rebote se torna uma possibilidade real”, alerta o nutrólogo.
O
debate, reforçam os especialistas, não é contra o uso de medicamentos, mas
contra o uso sem critério, sem plano e sem responsabilidade. Em um cenário em
que saúde e estética se confundem, o alerta é claro: atalhos rápidos podem ter
custos altos. Mais do que caber no verão, o desafio é construir um corpo
saudável e funcional ao longo do tempo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário