segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PROFISSIONALIZAÇÃO DO SÍNDICO AVANÇA NO CEARÁ

Foto divulgação

A profissionalização dos síndicos avança com força no Ceará, impulsionada pelo crescimento do número de condomínios, pelo aumento do porte dos empreendimentos e pela necessidade de gestão cada vez mais técnica. O estado já se posiciona como um dos mercados mais promissores do Nordeste para a carreira de síndico profissional, de acordo com dados do Censo Condominial 25/26 e do levantamento Perfil do Síndico Brasileiro, realizado pelo Instituto Datafolha para o Grupo Superlógica.

O Ceará registra hoje um cenário de expansão imobiliária e verticalização que altera profundamente o perfil da gestão condominial. Condomínios-clube, multipropriedades, empreendimentos mistos e estruturas com centenas de unidades exigem administração especializada. Esse ambiente favorece a transição do síndico morador para o síndico profissional, com contratos formais e atuação remunerada.

No Nordeste, o Censo Condominial 25/26 revela um cenário de valorização progressiva da função de síndico, com média regional de R$ 1.663. Dentro desse contexto, o Ceará aparece como um mercado em consolidação e forte potencial de crescimento, registrando remuneração média de R$ 1.790 para síndicos. O avanço é impulsionado pelo aumento de condomínios de médio e grande porte, especialmente nas regiões metropolitanas, onde a profissionalização da gestão condominial já é realidade.

Embora Maranhão (R$ 2.445), Bahia (R$ 2.381) e Rio Grande do Norte (R$ 2.243) liderem o ranking regional, o Ceará se destaca pela velocidade de expansão do mercado e pela transição acelerada do modelo amador para o profissional, com crescimento de cursos, empresas especializadas e contratação formal de gestores condominiais.

Estados como Alagoas (R$ 2.177) e Piauí (R$ 1.754) também apresentam médias relevantes, mas o Ceará reúne um diferencial estratégico: base imobiliária em expansão, verticalização e aumento do porte dos empreendimentos, fatores que pressionam a demanda por síndicos qualificados e consolidam a função como carreira.

 

Esse movimento local acompanha e, em alguns aspectos, antecipa a tendência nacional. O Brasil possui mais de 520 mil condomínios ativos e cerca de 80 milhões de moradores, e administrar esses empreendimentos já requer competências típicas de gestão empresarial, como planejamento financeiro, conformidade legal, segurança predial e mediação de conflitos.

O levantamento Perfil do Síndico Brasileiro mostra que quase metade dos síndicos do país já atua de forma profissional, tendo na função sua principal fonte de renda. Além disso, 72% buscaram cursos específicos de qualificação, dado que também se reflete no Ceará com a expansão de programas locais de formação e capacitação.

O estudo aponta ainda que:

59% dos síndicos são homens e 41% mulheres

a média de idade é de 42 anos

70% dos síndicos profissionais começaram como voluntários, antes de transformar a função em carreira

As diferenças entre os modelos de atuação são contundentes. O síndico profissional administra, em média, oito condomínios e mais de 750 unidades, com dedicação de 32 horas semanais. Já o síndico orgânico (morador voluntário) cuida de um ou dois condomínios, somando aproximadamente 103 unidades, dedicando 19 horas semanais.

No Ceará, a digitalização da gestão é outro vetor de profissionalização. Plataformas de administração condominial, assembleias virtuais, prestação de contas online e comunicação via aplicativos já fazem parte da rotina de diversos empreendimentos, ampliando transparência e controle financeiro.

Para Luciana Lima, CEO da Gestart Condomínios, o Ceará vive um ponto de virada:

“O estado reúne todos os elementos para a consolidação da carreira de síndico profissional: expansão imobiliária, condomínios de grande porte, exigências legais mais rigorosas e condôminos que demandam gestão técnica e transparente. Hoje, vemos cada vez menos síndicos improvisados e cada vez mais gestores preparados”, afirma.

Ela acrescenta que o impacto é direto na vida dos moradores e no patrimônio:

“A profissionalização resulta em menos conflitos, maior organização financeira, prevenção de passivos jurídicos e valorização dos imóveis. No Ceará, esse movimento já é perceptível nos condomínios que optaram por síndicos qualificados e empresas especializadas”, completa.


 

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