Chico
Buarque ganha novas leituras de sua obra em “Chico 2.0”, projeto da Cufa,
FRecords, Tha House e Universal Music Brasil que reúne artistas de diferentes
gêneros e gerações para revisitar clássicos do compositor. Felipe Poeta e Alê
Siqueira assinam a produção musical, em uma construção colaborativa que também conta
com a articulação cultural de Preto Zezé, Celso Athayde e Fábio Almeida. As
faixas partem das composições originais e ganham novas identidades a partir das
referências de cada artista, transitando por rap, trap, funk, R&B, samba,
soul e nova MPB. A primeira parte chegou hoje (21) às plataformas, enquanto a segunda está
prevista para outubro.
Dexter,
MC Livinho, Xênia França, MC Cabelinho, Budah, Júlia Mestre, TZ da Coronel, Don
L, VANDAL, Tasha & Tracie, Grag Queen, Bela Maria e Maurício Pazz estão
entre os artistas que participam do projeto. As faixas levam as composições de
Chico para diferentes sonoridades sem perder de vista a força das obras
originais.
A
proposta de “Chico 2.0” é aproximar uma obra que atravessou gerações das
linguagens e dos artistas que movimentam a música brasileira contemporânea. As
versões partem das composições de Chico, mas ganham novas identidades a partir
das referências de cada intérprete.
Preto
Zezé, presidente da Cufa e uma das lideranças à frente do projeto, reforça a
proposta de conectar a obra de Chico Buarque à estética e à produção cultural
do Brasil atual: “O conceito de Música Popular Brasileira precisa acompanhar a
velocidade e a estética do Brasil de hoje. Nossa direção artística partiu do
princípio de que a obra de Chico Buarque, por exemplo, não pertence a um grupo
seleto: ela é fruto da vivência popular. Este projeto não é um resgate
nostálgico, é uma afirmação de futuro, conectando a sofisticação do gênero com
a potência, o ritmo e a visão de mundo da favela contemporânea”, frisa. Zezé.
Para
Felipe Poeta, a releitura passa justamente pela possibilidade de criar uma
ponte entre a obra de Chico e a música urbana atual.
“Desde
o começo, a ideia foi criar essa ponte entre a obra do Chico e a música urbana
de hoje. Mesmo sendo letras escritas em outros contextos, as histórias, os
amores e os temas que ele aborda continuam muito atuais. Então, trazer essas
músicas para artistas de diferentes gerações e estilos fez muito sentido. A
gente quis inovar sonoramente, mas sempre com muito respeito pela obra,
principalmente pelas harmonias e melodias do Chico. Acho que o mais legal é
justamente conseguir levar essas histórias, que já são tão conhecidas, para uma
geração mais nova que acompanha a música urbana”, afirma Felipe Poeta.
Do rap
ao trap, Chico ganha novos beats
A
conexão com a música urbana é um dos pilares de “Chico 2.0”. Artistas como MC
Cabelinho, MC Livinho, Dexter, Tasha & Tracie, TZ da Coronel, Don L e
VANDAL levam suas próprias referências para canções que atravessaram gerações,
aproximando a obra de Chico Buarque de diferentes vertentes do rap, trap e
funk.
Em
“Cálice”, MC Cabelinho revisita o clássico de Chico e Gilberto Gil, em uma
versão que o artista define como diferente de tudo o que já fez. MC Livinho
aparece em “Construção” e “Pivete”, enquanto Dexter também participa de
“Construção”, levando sua identidade para uma composição que considera
atemporal. Já Tasha & Tracie levam sua linguagem para “Deus Lhe Pague”, em
uma releitura que aproxima a faixa do universo da dupla.
O
encontro entre diferentes regiões do país também ganha espaço. Em “João e
Maria”, Júlia Mestre divide os vocais com TZ da Coronel, em uma combinação que
aproxima diferentes gerações e universos musicais. Don L e VANDAL, por sua vez,
se unem em uma faixa que conta ainda com a participação de Milton Nascimento e
do próprio Chico Buarque.
Para
os artistas, a experiência também representa uma oportunidade de apresentar a
obra de Chico a novos públicos. Don L destaca a possibilidade de aproximar o
repertório do compositor de uma geração mais jovem, enquanto VANDAL celebra a
parceria com o rapper e a conexão entre diferentes vozes do Nordeste.
“Eu
sou um grande fã da obra de Chico, então recebi o convite muito honrado, pra
interpretar uma música muito importante na história do Brasil e importante de
ser lembrada no momento atual e pra sempre. Resolvi fazer uma interpretação
mais malandra, mais rap, sempre citando a melodia original, ao lado do VANDAL
que é uma voz das ruas de Salvador, um cara que eu tenho grande admiração. É
também um convite ao nosso público mais jovem a conhecer a obra do Chico”,
afirma Don L.
VANDAL
também destaca a parceria: “Estou de coração preenchido e grato por participar
de um projeto tão importante, ao lado de nomes tão relevantes da música
brasileira. O que mais me toca é poder interpretar uma faixa com Milton
Nascimento e o próprio Chico Buarque. Também fico muito feliz em dividir esse
momento com Don L, uma voz nordestina que admiro. Essa conexão entre dois
artistas do Nordeste era muito esperada e, para mim, representa uma entrega
muito especial ao nosso povo.”
Da
nova mpb ao r&b, outras vozes reinventam Chico
Se o
rap aproxima Chico da música urbana, “Chico 2.0” também abre espaço para
artistas ligados ao R&B, ao pop e à nova MPB. Xênia França, Budah, Grag
Queen, Júlia Mestre e Bela Maria revisitam diferentes momentos da obra do
compositor a partir de suas próprias referências, mostrando como essas canções
continuam encontrando novos caminhos na música brasileira.
Xênia
França, que já havia se aproximado da obra de Chico em uma homenagem ao
compositor, celebra a oportunidade de trazer suas canções para o presente.
“Para mim, é uma honra participar desse projeto. Chico é um dos grandes mestres
da música e da cultura brasileira, e sua obra sempre esteve no meu imaginário.
Adorei a proposta de trazer suas crônicas para o presente, mostrando como elas
continuam atuais na voz de artistas contemporâneos. Me sinto muito lisonjeada
de fazer parte dessa homenagem e de interpretar canções tão profundas.”
Nas
referências do R&B, Budah encontra espaço para imprimir sua identidade à
releitura e também enxerga no projeto uma oportunidade de aproximar clássicos
da música brasileira de uma geração mais jovem.
A
diversidade de linguagens ganha outra dimensão em “Geni e o Zepelim”,
interpretada por Grag Queen. A artista leva para a canção elementos de seu
próprio universo como drag queen e intérprete, explorando a força e a
atualidade de uma obra que aborda temas como julgamento, desejo, marginalização
e hipocrisia.
“Foi
uma experiência muito singular e de muita responsabilidade, mas também uma
oportunidade de contar novamente essa história a partir da minha linguagem.
Como drag queen e intérprete, pude levar para a música meu universo, meu
deboche, meus cacos e minha perspectiva, respeitando a essência de uma obra que
atravessa gerações”, afirma Grag Queen.
Em
“João e Maria”, Júlia Mestre aposta no encontro com TZ da Coronel para criar
uma leitura que atravessa gêneros e gerações, aproximando a delicadeza da
composição de Chico de uma sonoridade contemporânea.
Fechando
esse recorte, Bela Maria revisita “Meu Caro Amigo”, música que faz parte de sua
formação, explorando tons e ritmos que já fazem parte de seu universo pessoal.
“Foi uma honra das grandes dar uma nova roupagem a um clássico que escuto desde
pequena. Me diverti muito explorando tons e ritmos que não costumo lançar, mas
que fazem parte da minha vida. E, para mim, homenagear quem abriu portas para
nós e valorizar a riqueza da música brasileira é sempre um ato necessário.
Chico democratiza isso da maneira mais bonita possível: ele canta nossa
história.”
Herança
cultural
Além
dos encontros musicais, “Chico 2.0” parte da ideia de aproximar a obra do
compositor da produção cultural contemporânea. Celso Athayde, fundador da
Central Única das Favelas (Cufa) e um
dos idealizadores do projeto, destaca a responsabilidade de trabalhar com um
repertório tão conhecido e a importância de dar continuidade à tradição da
música popular brasileira a partir de novos olhares: “Dirigir artisticamente o
projeto Chico 2.0 é uma responsabilidade imensa com a história da nossa música.
Os grandes clássicos do gênero sempre beberam na fonte da cultura popular. O
que estamos fazendo aqui é dar continuidade a essa linhagem, garantindo que a
nova geração de artistas e ouvintes ocupe esse espaço com propriedade,
qualidade técnica e autonomia narrativa.”
Fábio
Almeida destaca o caráter coletivo da construção do álbum e a troca entre
diferentes gerações e linguagens musicais: “Desde o início, o Chico 2.0 foi
pensado como um encontro entre gerações, linguagens e diferentes formas de
fazer música. A escolha de cada artista e de cada canção foi construída
coletivamente, buscando respeitar a essência da obra do Chico e, ao mesmo
tempo, permitir que esses artistas trouxessem suas próprias identidades para
esse repertório. O mais potente desse projeto é justamente essa troca:
aproximar uma obra atemporal de uma nova geração, sem perder sua força, mas
revelando novas possibilidades de escuta.”
Para
Paulo Lima, presidente da Universal Music Brasil, o projeto representa uma
oportunidade de colocar a obra de Chico em diálogo com novas vozes e
perspectivas da música brasileira:
“Detentor
de múltiplos talentos, Chico Buarque é um dos maiores artistas vivos da cultura
popular brasileira. Como compositor, sua obra é hoje lembrada, e até estudada
em escolas e universidades do Brasil e além. Com sua alta sensibilidade
poética, Chico traz em seu vasto repertório músicas sobre crítica política e
social, faz um retrato do cotidiano e das classes populares brasileiras, revela
o universo feminino sob diferentes perspectivas, além de contar inesquecíveis
histórias de amor”, destaca Paulo Lima.
“Tendo
nas mãos essa riquíssima obra, esses talentosos artistas da cena urbana
contemporânea trouxeram suas novas vozes, sonoridades e vivências para o álbum
"Chico 2.0", projeto que dialoga com essas impactantes canções do
mestre. Cada um desses jovens talentos imprime sua personalidade nas músicas,
sem deixar de lado a essência e a grandeza das obras originais. A música de
Chico Buarque nunca deixou de ser atual. E esse projeto mostra justamente
quantos novos caminhos podem nascer a partir de uma obra tão rica. Para a
Universal Music Brasil, é uma grande honra participar desse encontro, aproximar
esses dois universos e contribuir para que essas canções continuem chegando a
novos públicos e novas gerações”, complementa Paulo.
Tracklist:
“chico 2.0”
1.
Construção (Chico Buarque) - Dexter, Maurício Pazz, MC Livinho, Felipe Poeta
2. O
Que Será (À Flor da Terra) (Chico Buarque) - VANDAL, Don L, Felipe Poeta
3.
Olê, Olá (Chico Buarque) - Xênia França, Felipe Poeta
4. Meu
Caro Amigo (Chico Buarque/Francis Hime) - Bela Maria, Felipe Poeta
5.
Pivete (Chico Buarque/ Francis Hime) - MC Livinho, Felipe Poeta
6.
Roda Viva (Chico Buarque) - BUDAH, Felipe Poeta
7.
João e Maria (Chico Buarque, Sivuca) - Julia Mestre, TZ da Coronel, Felipe
Poeta
8.
Deus Lhe Pague (Chico Buarque) - Tasha & Tracie, Felipe Poeta
9.
Cálice (Chico Buarque, Gilberto Gil) - Xênia França, MC Cabelinho, Felipe Poeta
10.
Geni e o Zepelim (Chico Buarque) - Grag Queen, Felipe Poeta

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