O
cenário educacional cearense é amplamente reconhecido no país pela excelência
pedagógica e pelos resultados históricos no Exame Nacional do Ensino Médio
(ENEM). A dedicação das escolas e a disciplina dos estudantes abrem portas
anualmente para as universidades mais concorridas do Brasil. No entanto, à
medida que as provas se aproximam, a alta exigência cognitiva e o ritmo de
simulados e aulas em tempo integral cobram seu preço: a exaustão emocional e a
sensação de isolamento dos estudantes.
Diante
desse contexto, o desafio contemporâneo não é diminuir o valor do mérito ou da
ambição dos jovens, mas sim encontrar um equilíbrio sustentável. De acordo com
a psicóloga, neuropsicóloga e educadora parental Sarah Rebeca Barreto, é
fundamental que a busca pelo alto rendimento não anule as vivências essenciais
da adolescência.
"A
adolescência é uma fase de expansão, descoberta e construção de laços sociais.
Quando a rotina de estudos sufoca os momentos de respiro, é natural que surja a
exaustão e a ideia perigosa do 'tudo ou nada'. Mas essa maratona não precisa
ser percorrida no sofrimento. É perfeitamente possível manter o foco nos
estudos e preservar a sanidade mental e a leveza que essa etapa da vida
exige", destaca a especialista.
O
papel da família
Nesse
ecossistema de alta cobrança, a neuropsicóloga e educadora parental reforça que
a família desempenha um papel determinante. Em vez de atuarem como cobradores
de metas, pais e responsáveis devem posicionar o lar como um ambiente de
acolhimento e descompressão, onde o estudante possa se despir da figura de
"vestibulando" para ser apenas filho, irmão e jovem.
Para
transformar essa jornada em um processo saudável de amadurecimento, a psicóloga
defende que a família deve atuar como um porto seguro, adotando práticas
cotidianas. Isso envolve incentivar pausas sem culpa, lembrando o jovem de que
momentos de lazer e descanso são investimentos estratégicos para a saúde mental
e o aprendizado, já que o cérebro precisa desopilar para fixar o conhecimento.
Paralelamente,
é fundamental proteger os rituais de convivência, mantendo refeições livres de
conversas sobre notas, simulados ou concorrência para priorizar diálogos leves
e afetivos. Por fim, torna-se essencial desconstruir a cultura do 'tudo ou
nada', reafirmando com clareza que o amor, o orgulho e o valor do estudante
dentro de casa não dependem do resultado de um gabarito, mostrando que existem
múltiplos caminhos e muita vida além do mês de novembro.
SOBRE
A ESPECIALISTA
Sarah
Rebeca Barreto é psicóloga, neuropsicóloga e educadora parental. Atua no
acompanhamento do desenvolvimento emocional e cognitivo de adolescentes e
famílias, promovendo estratégias de saúde mental, orientação de pais e alta
performance com equilíbrio emocional no contexto escolar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário