A
entrada de grandes bancos privados no financiamento habitacional ligado ao
Minha Casa, Minha Vida começa a ser vista pelo mercado como um dos principais
movimentos estruturais do crédito imobiliário brasileiro nos últimos anos. A
ampliação da atuação de instituições como Itaú e Inter na Faixa 4 do programa
reforça uma tendência de maior participação da iniciativa privada em um
segmento historicamente concentrado na Caixa Econômica Federal.
A
modalidade atende famílias com renda mensal de até R$ 13 mil e imóveis
avaliados em até R$ 600 mil. No caso dos bancos privados, as operações são
realizadas com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE),
voltados ao financiamento de imóveis prontos para morar. Já os financiamentos
com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) continuam sendo
operados exclusivamente pela Caixa Econômica Federal, tanto para o consumidor
final quanto para o financiamento da produção das incorporadoras.
Para
especialistas do setor imobiliário, o movimento representa mais do que uma
disputa entre instituições financeiras: sinaliza um amadurecimento gradual do
mercado de crédito habitacional brasileiro, ampliando as alternativas de
financiamento para parte da classe média.
Segundo
Carlise Antoneli, especialista no mercado imobiliário e diretora de operações
da Pramorar Brasil, o Brasil ainda possui um mercado de crédito habitacional
pequeno quando comparado a economias mais desenvolvidas, o que abre espaço para
expansão nos próximos anos.
"A
entrada de bancos privados amplia a concorrência no crédito habitacional e
oferece novas alternativas de financiamento para os consumidores dentro das
modalidades operadas com recursos do SBPE. Ao mesmo tempo, a Caixa continua
desempenhando um papel fundamental ao permanecer como a única instituição
responsável pelas operações com recursos do FGTS, que seguem essenciais para
ampliar o acesso à moradia no país", afirma.
A
avaliação do mercado é que a maior competitividade entre instituições
financeiras pode favorecer especialmente empreendimentos voltados ao público de
renda intermediária e imóveis com entrega próxima, perfil que vem registrando
crescimento de procura em Fortaleza.
A Pramorar
Brasil observa aumento no interesse por unidades como as do OASY,
empreendimento com entrega rápida no Guararapes, bairro da capital cearense,
além do Bella Meireles, recentemente entregue pela incorporadora.
Segundo
Carlise, o cenário atual reúne fatores que historicamente impulsionam o setor
imobiliário: maior oferta de crédito, aumento da concorrência entre
instituições financeiras e uma demanda ainda significativa por moradia.
"O
crédito imobiliário brasileiro ainda tem muito espaço para crescer. Quanto mais
alternativas de financiamento estiverem disponíveis para o consumidor, maior
tende a ser o dinamismo do mercado. Isso beneficia principalmente quem busca
imóveis com entrega próxima e localizados em regiões já consolidadas, onde o
comprador consegue unir facilidade de crédito, infraestrutura e potencial de
valorização", avalia.
Ainda
de acordo com a diretora, a tendência é de maior movimentação do mercado
imobiliário ao longo dos próximos meses, especialmente nos segmentos de
primeira moradia, médio padrão e imóveis com condições facilitadas de
financiamento.

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