Na
última quinta-feira, 23 de julho, a Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza,
e espaços públicos em Maranguape e Paracuru foram palco de uma grande
mobilização em defesa dos direitos da infância e da adolescência. A edição
cearense da 19ª Ação Nacional "Criança Não é de Rua" reuniu cerca de
700 pessoas no estado para denunciar a invisibilidade social e cobrar do poder
público políticas efetivas de acolhimento e proteção social.
A data
do ato faz uma referência histórica aos 33 anos da Chacina da Candelária,
ocorrida em 23 de julho de 1993, no Rio de Janeiro, quando crianças e
adolescentes em situação de rua foram assassinados por um grupo de extermínio
formado por policiais militares. O episódio tornou-se um marco divisor de águas
na luta pelos Direitos Humanos no país e segue simbolizando a urgência da
proteção integral, da dignidade e da garantia do direito à vida para a infância
vulnerável.
O
movimento ocorreu de forma simultânea em 16 cidades brasileiras, incluindo
capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Belém e São Luís. No
Ceará, a articulação esteve a cargo da Associação O Pequeno Nazareno, por meio
do projeto Dignidade para a Infância, desenvolvido em parceria com a Petrobras
através do Programa Petrobras Socioambiental.
Além
do resgate da memória e do combate ao preconceito, a mobilização deste ano
abriu espaço para famílias e jovens de ocupações habitacionais precárias,
pautando o direito à moradia digna, acesso à saúde, educação, esporte e lazer,
além do posicionamento contra a redução da maioridade penal. "Essa data é
fundamental para a nossa luta de sensibilizar governantes e a sociedade,
combatendo o preconceito e a discriminação. Este ano, trouxemos crianças e
adolescentes de áreas de ocupações habitacionais, que enfrentam condições de
moradia extremamente precárias. Lutamos pelo direito à habitação, à saúde e à
educação de qualidade. O que queremos é garantir cultura, esporte, lazer e
dignidade para essa juventude", comenta Manoel Torquato, Coordenador Geral
da Associação O Pequeno Nazareno.
Fortaleza
concentra 91% dos casos no Ceará
O ato
é reforçado por números alarmantes. Segundo dados do Observatório Brasileiro de
Políticas Públicas para a População em Situação de Rua, o Brasil contabiliza
quase 10 mil crianças e adolescentes vivendo nas ruas. Mais de 80% dessa
população está concentrada nos estados de São Paulo, Roraima e Bahia. O
mapeamento nacional mostra que 44% têm entre 0 e 6 anos de idade (primeira
infância) e 56% têm entre 7 e 17 anos.
No
Ceará, os dados registram 270 crianças e adolescentes em situação de rua, das
quais 127 têm até seis anos de idade. Fortaleza concentra 245 desses casos, o
equivalente a 91% de todos os registros do estado, evidenciando o desafio
urgente para as políticas públicas locais.
Sobre
a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno
Fundada
em 1993, por Bernardo Rosemeyer, a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno é
reconhecida nacionalmente pelo atendimento integral a crianças e adolescentes
em situação de rua, bem como a suas famílias e comunidades de deslocados
internos localizadas em municípios do
Norte e do Nordeste do Brasil. Sem fins lucrativos, a instituição dedica-se à
promoção da dignidade, justiça e inclusão social, enfrentando preconceitos e
influenciando políticas públicas para a transformação da sociedade.
.jpeg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário