O
crescimento da procura pelo microagulhamento capilar e pelo MMP (Microinfusão
de Medicamentos na Pele) requer cuidados. Isso porque, antes de qualquer
procedimento, é indispensável um diagnóstico. Queda de cabelo e doenças do
couro cabeludo não são apenas questões estéticas, mas condições médicas que
exigem investigação.
Segundo
a médica Fernanda Cassain, especialista em tricologia médica, existe uma falsa
percepção de que toda queda de cabelo pode ser tratada com microagulhamento.
"O couro cabeludo pode apresentar mais de vinte doenças diferentes.
Algumas são hormonais, outras inflamatórias, infecciosas, autoimunes ou
decorrentes de deficiências nutricionais, como anemia e deficiência de ferro.
Sem um diagnóstico correto, o procedimento pode ser ineficaz ou até agravar a
doença", afirma.
A
médica explica que o procedimento não é um tratamento universal. "O
microagulhamento é uma ferramenta terapêutica complementar. Em pacientes
selecionados, ele pode estimular mecanismos de reparação tecidual e aumentar a
permeação de medicamentos. Mas, isoladamente, dificilmente resolve a causa da
queda de cabelo", afirma.
Antes
de qualquer terapia, o paciente deve passar por consulta médica detalhada, com
história clínica, exame físico, tricoscopia e, quando necessário, exames
laboratoriais e biópsia. "Na Medicina, primeiro identificamos a doença.
Depois definimos o tratamento. Procedimentos não substituem o
diagnóstico", pontua a médica.
*Aplicação*
O MMP
associa o microagulhamento à aplicação de medicamentos no couro cabeludo, com
fármacos como minoxidil, dutasterida e bicalutamida, cuja indicação depende da
doença diagnosticada. "A escolha da substância, da concentração e da
técnica deve ser individualizada e baseada em critérios médicos", explica.
Embora
divulgado nas redes sociais como algo simples, o microagulhamento não é isento
de complicações, especialmente pelo uso de anestésico tópico. "A pele fica
temporariamente permeável e existe risco de absorção sistêmica. O uso
inadequado pode causar intoxicação por anestésicos locais", alerta.
Para a
Fernanda Cassain, o microagulhamento segue como ferramenta importante na
tricologia, desde que usado no momento certo e de forma individualizada.
"A queda de cabelo é um sintoma, não um diagnóstico", finaliza.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário