Muito
antes de expressões como moda circular, consumo consciente e secondhand
ganharem espaço no vocabulário da moda, a empresária Thayssa Sanches já
percebia valor, beleza e novas possibilidades em peças que outras mulheres não
usavam mais. Em 2026, o Brechó Outra Vez celebra 25 anos de atuação e uma
trajetória pioneira em Fortaleza, construída com repertório de moda, rigor na
curadoria e uma relação de confiança que atravessa gerações de clientes e
fornecedoras. A celebração acontecerá dia 27 de agosto, em um coquetel na sede
do primeiro Brechó de Fortaleza, no bairro Papicu.
A
história do negócio começou antes mesmo da abertura da loja. Thayssa foi
gerente das marcas Pakalolo e Forum, experiências que lhe deram conhecimento
sobre tecidos, modelagens, caimento, composição de vitrines e organização do
varejo. Esse olhar técnico, aliado ao bom gosto e à facilidade de compreender o
estilo de cada cliente, tornou-se a base de uma empresa que nasceria quase por
acaso, mas já com identidade muito definida.
No ano
2000, uma cliente da Forum, após a gravidez, decidiu renovar o guarda-roupa e
perguntou se Thaisa teria interesse em promover um bazar com as peças que já
não usaria. A resposta foi imediata. Pouco depois, chegaram 20 sacos com
roupas, bolsas, sapatos e acessórios — todos de excelente qualidade,
novíssimos.
Thayssa
organizou o acervo em cabides, convidou amigas e divulgou a iniciativa pelos
recursos disponíveis à época: panfletos, telefonemas e boca a boca. Sem o
recurso das redes sociais ou aplicativos de mensagem, o resultado foi um
sucesso absoluto.
A
procura levou à realização de novos bazares a cada dois meses. Thayssa acionou
o mailing de clientes formado ao longo dos anos no varejo de moda e,
gradualmente, muitas dessas mulheres, também passaram a fornecer peças. Em
2001, o projeto ganhou endereço físico no Papicu e nasceu oficialmente o Brechó
Outra Vez.
“Desde
o início, eu queria oferecer roupas bonitas, de boas marcas e impecavelmente
cuidadas. Queria que a cliente encontrasse uma peça pronta para vestir e
entendesse que comprar em brechó podia ser uma experiência elegante, confiável
e prazerosa”, afirma a empresária.
Uma
curadoria que ajudou a mudar percepções:
Desde
a origem, Thayssa estabeleceu um padrão incomum para o segmento naquele
período: trabalhar com peças de qualidade, marcas desejadas e apresentação
impecável. Todas as roupas só chegam às araras após higienização e passadoria.
O cuidado buscava romper uma associação ainda muito presente no início dos anos
2000, quando brechó era frequentemente visto como sinônimo de roupa antiga,
amarelada, com cheiro de mofo ou mal conservada.
O
acervo do Outra Vez é renovado por uma rede muito qualificada de fornecedoras,
formada, em grande parte, por mulheres de alto poder aquisitivo, com acesso a
peças de grife e marcas desejadas. Muitas chegam à loja pouco usadas e em
excelente estado de conservação.
Antes
de entrar nas araras, cada item passa pelo olhar criterioso de Thayssa, que
observa tecido, acabamento, modelagem, conservação e potencial de uso — porque,
para ela, uma etiqueta importante só faz sentido quando vem acompanhada de
qualidade e personalidade. As produções, apresentadas na loja e no instagram,
são feitas por ela, que está sempre atenta às tendências e novidades da moda.
Esse
padrão ajudou a formar uma clientela fiel e exigente. De acordo com Thayssa, ao
longo desses 25 anos, clientes tornaram-se fornecedoras, fornecedoras trouxeram
novas clientes e o espaço consolidou uma comunidade unida pelo prazer de se
vestir bem. A longevidade do brechó também se explica pelo vínculo pessoal
construído por ela, que conhece preferências, reconhece estilos e transforma a
compra em uma experiência de descoberta, acolhimento e confiança.
Visionária
antes de a circularidade virar tendência
O
movimento iniciado intuitivamente por Thayssa, quando isso não era comum, hoje
integra uma transformação global do consumo. O Resale Report 2026, da ThredUp,
com dados da GlobalData, projeta que o mercado mundial de vestuário de segunda
mão chegará a US$ 393 bilhões até 2030, crescendo duas vezes mais rápido que o
varejo de moda em geral.
O dado
dimensiona uma mudança de comportamento que valoriza a extensão da vida útil
das roupas, a circulação de produtos de qualidade e escolhas mais conscientes.
“Quando
comecei, sustentabilidade ainda não era uma pauta cotidiana. Hoje, a moda
circular está no centro das discussões sobre consumo e futuro. Olhar para essa
transformação e perceber que o Outra Vez ajudou a abrir esse caminho em
Fortaleza é motivo de muito orgulho”, destaca.
A
expansão do mercado e o surgimento de novos brechós na capital cearense,
especialmente nos últimos anos, confirmam a força de um segmento que o Outra
Vez ajudou a apresentar à cidade.
Para
Thayssa, entretanto, o pioneirismo não se resume a ter chegado antes. Está na
capacidade de permanecer relevante, acompanhar as mudanças do varejo e do comportamento,
preservar a qualidade e continuar surpreendendo mulheres que buscam
originalidade, boas marcas e compras com propósito.
A
empreendedora lembra também que em 2020, durante a pandemia, sua marca foi
escolhida pelo Shopping Riomar Fortaleza, que realizou uma pesquisa e escolheu
o "Outra Vez" como o melhor brechó de Fortaleza. Ela foi convidada a
instalar a loja por três meses no shopping e as vendas foram um absoluto
sucesso.
Para
ela, celebrar 25 anos é reconhecer uma trajetória feminina de coragem, visão e
consistência. "É também agradecer às clientes e fornecedoras que confiaram
no projeto desde os primeiros bazares e ajudaram a transformar uma ideia
simples em uma marca respeitada e querida em Fortaleza", conclui.
No
Outra Vez, as roupas ganham novos destinos. A história construída por Thayssa
Sanches prova que bons negócios também podem ganhar novos significados — outra
vez.
SERVIÇO
Brechó
Outra Vez
Endereço:
Rua Alfeu Aboim, 570 – Papicu, Fortaleza
Funcionamento:
segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 14h
Instagram:
@brechooutravez

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