sábado, 29 de novembro de 2025

O PODER DA MÚSICA SOBRE O CÉREBRO

Foto divulgação

Desde os primeiros sons entoados pela voz humana até as mais complexas sinfonias, a música acompanha o homem em todas as fases da vida. Mais do que entretenimento, ela é uma linguagem universal capaz de despertar emoções, fortalecer vínculos e até curar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), manifestações artísticas e culturais têm impacto direto na saúde física e mental, e entre todas as formas de expressão, a música se destaca por sua influência profunda sobre o cérebro humano.

Durante a pandemia da COVID-19, hospitais de todo o Brasil recorreram à musicoterapia como forma de aliviar o sofrimento de pacientes internados. Cantar, ouvir ou simplesmente estar exposto a melodias suaves ajudava a reduzir a ansiedade, melhorar o humor e promover relaxamento, um recurso simples e eficaz diante de dias de incerteza. Hoje, cientistas seguem explorando os efeitos neurológicos da música. Estudos mostram que ela estimula diversas regiões do cérebro, como o hipotálamo, responsável pelo equilíbrio do corpo e das emoções, e o tálamo, ligado à interpretação dos sentidos e à memória. Ao mesmo tempo, a música ativa neurotransmissores como dopamina, endorfina, ocitocina e serotonina, substâncias associadas à sensação de prazer, felicidade e bem-estar.

De acordo com um relatório do Conselho Global de Saúde Cerebral (GCBH), ouvir, cantar ou tocar uma canção estimula diferentes áreas do cérebro de forma coordenada, fortalecendo a memória, reduzindo o estresse e promovendo sensação de equilíbrio. A pesquisa também destaca que cantar ou tocar em grupo melhora a socialização e reduz a solidão, pilares fundamentais da saúde mental.

A cantora e radialista Roberta Fiuza vive isso na pele desde a infância. “Meu pai tocava violão e conversava comigo ainda na barriga. Ele me mostrava as capas dos discos, as cifras, e eu ouvia tudo aquilo como se já fizesse parte de mim”, conta. Desde pequena, ela percebeu que a música era abrigo e cura. “Ela sempre foi colo, um grande socorro na minha vida. Muitas vezes, antes de subir no palco, eu estava destruída emocionalmente, mas bastava cantar para tudo passar. É como se naquele momento nada de ruim pudesse me alcançar.”

Roberta lembra, emocionada, de quando o pai entrou em coma durante um dos momentos mais importantes da carreira. Mesmo sem voz, ela subiu ao palco. “A música me segurou. Foi o elo entre mim, meu pai e Deus. A arte tem esse poder de nos sustentar quando nada mais parece fazer sentido”, revela.

Para o psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Wyden, Miguel Lessa, a música é uma poderosa ferramenta de regulação emocional. “Desde o nascimento, ela nos acompanha como uma forma natural de expressar e acolher emoções. O corpo responde aos ritmos e melodias, o coração desacelera, a respiração se torna mais tranquila e a sensação de segurança aumenta.” Ele explica que a música também tem papel social e terapêutico. “Ouvir, cantar ou tocar em grupo cria conexões, combate a solidão e fortalece o sentimento de pertencimento. Na musicoterapia, o som é usado para promover comunicação e bem-estar. A música cuida não apenas da mente, mas dos laços humanos que sustentam nossa saúde emocional.”

O neurocirurgião Dr. Saulo Teixeira reforça que a música é um verdadeiro exercício cerebral. “Ao ouvir uma canção, várias áreas do cérebro são ativadas simultaneamente, do lobo temporal, que decodifica os sons, ao hipocampo, responsável pelas memórias. Esse estímulo global favorece a chamada plasticidade neuronal, fortalecendo as conexões entre os neurônios e mantendo o cérebro mais saudável por mais tempo.”

Segundo o especialista, a música é utilizada inclusive em terapias de reabilitação. “Na recuperação de pacientes com AVC, Alzheimer e Parkinson, ela ajuda a evocar lembranças e recuperar movimentos. Além disso, pessoas com fé ativa tendem a ter menos estresse e melhor equilíbrio emocional. Fé e música, juntas, atuam como remédio para o cérebro e para a alma.”

Essa união entre espiritualidade e arte é sentida diariamente por Felipe Sousa, músico de igreja e vendedor. “A música é obra do Criador. Quando toco, sinto a presença de Deus. É um meio de adoração, não importa o lugar. A verdadeira adoração transcende o ambiente”, afirma. Para ele, tocar é mais do que uma atividade: é comunhão e cura. “Já vi pessoas se sentirem abraçadas por Deus através de uma canção. A música cristocêntrica traz alívio, confronta e restaura. Ela fala direto ao coração e revela o amor do Criador.”

Ciência e fé se encontram quando o assunto é música. Seja no palco, em casa ou em um hospital, ela desperta o que há de mais humano em nós: emoção, memória, espiritualidade e conexão. Como explica o Dr. Saulo Teixeira, “ouvir ou fazer música é, sim, uma forma de treinar o cérebro”.

E como resume Roberta Fiuza: “A música nunca me faltou. Ela sempre foi colo, fé e verdade. E quando sobra em mim, chega aos outros.”


 

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